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A
competição não é apenas um dos capítulos
mais instigantes dos livros de marketing, mas um fenômeno
que, a cada dia, incorpora novos conceitos, idéias e posições.
Atingir o consumidor em um contexto de conturbação,
mutações sociais e econômicas, variações
comportamentais e em meio a um verdadeiro bombardeio de comunicações
tem sido um desafio sem tréguas para o universo de profissionais
de vendas, marketing e comunicação. Um dos maiores
desafios das empresas reside em preparar uma cultura para a adequação
aos novos tempos.
A rigor, não
existe uma receita preparada para ganhar o consumidor, porque as
condições ambientais e as conjunturas sócio-econômicas
exigem um permanente esforço de atualização
de técnicas e flexibilidade no campo das decisões.
Mas, é possível relacionar um conjunto de definições
que podem ser aplicadas a cada circunstância. Com esta intenção
aqui está um rápido roteiro para aproximar as empresas
das novas exigências dos consumidores e públicos-alvo.
1. Conhecer bem o perfil – Gostos, atitudes, preferências,
hábitos, costumes, relações sociais e grupais
de referência do consumidor – eis a base inicial de
um trabalho de aproximação. Sabe-se, por exemplo,
que o consumidor está se tornando cada vez mais exigente,
seletivo, desconfiado, racional. Sem se averiguar as reais medidas
que molduram essa hipótese, qualquer trabalho pode fracassar.
O rastreamento do consumidor é uma tarefa que não
se esgota de uma só vez, porque suas atitudes são
dinâmicas, o que exige análise permanente de seu perfil.
2. Ter um objetivo – Muitas campanhas morrem no nascedouro
por falta de objetivos claros e concretos. Certas empresas alinham
objetivos múltiplos e variados, confundindo o principal com
o acessório, o prioritário com o secundário.
Essa confusão acaba por prejudicar a essência dos projetos
e campanhas, e o consumidor termina não sendo fisgado pela
bateria de comunicações que se instala em sua direção.
3. Escolher a linguagem – As linguagens estão se tornando
cada vez mais especializadas. A linguagem correta é a que
permite uma sintonização quase empática entre
uma fonte de comunicação e um receptor. É condicionada
a um meio social, a um contexto técnico, a um grupo de referência
e aos fatores tecnológicos que permeiam os canais de comunicação.
Implica em selecionar cores, formas, palavras-chave, conceitos chave,
ordenamento lógico de idéias, precisão, concisão,
clareza, oportunidade.
4. Definir o canal – Há uma multiplicidade de canais
à disposição das empresas. Cada um tem natureza
e exige linguagem própria. Malas diretas, folders, folhetos,
catálogos, cartazes, volantes, outdoors, anúncios
impressos, rádios, tv, jornais, revistas, telemarketing constituem,
entre outros, o arsenal de mídia. Mas, por falta de criatividade,
muitos desses canais são mal produzidos e chegam aos consumidores
com mensagens confusas, cansativas, repetitivas, enfadonhas. Os
consumidores, principalmente em relação aos canais
impressos, imaginam que já viram aquilo antes.
5. Organizar a promoção – Em torno dos produtos,
canais e linguagens será oportuno compor uma ação
promocional, uma espécie de chamariz para atrair a atenção
dos consumidores, esquentando os climas ambientais e criando uma
auréola de sucesso e bom posicionamento para a linha que
se está promovendo. Trata-se de organizar a festa e o cenário
para o produto.
6. Visibilidade e sinalização – Os códigos
visuais externos – placas, indicativos, marcas, luzes, luminosos
– permitem estabelecer uma ponte entre os produtos, organizações
e os mapas visuais/cognitivos dos consumidores. Com a repetição
da bateria de comunicação visual, o consumidor acaba
por compor, associativamente, um conceito da organização
e de seus produtos. É evidente que essa bateria não
pode destoar da temperatura visual do meio ambiente.
7. Treinar pessoas – O sistema de aproximação
passa por uma treinada equipe de vendas e outros profissionais que
lidam com consumidores. Esse contingente, quando orientado para
usar a linguagem integrada e uniforme da campanha ou adotar padrões
coerentes, reforça a comunicação. O conselho
que se dá, nesse caso, é oferecer à equipe
um escopo mais amplo que o mero referencial de vendas, como conhecimentos
sobre psicologia, sociologia, ciências políticas, economia,
história das empresas, entre outras disciplinas.
8. Adequação sócio-ambiental – Qualquer
iniciativa para maior aproximação com o consumidor
carece de uma acurada análise das condições
sócio-ambientais. É aqui que se fará ajustes
de tons, adequação de linguagens, arremate de posições.
Verifica-se a oportunidade para se lançar uma campanha, analisa-se
a demanda social, pesquisam-se os dados sobre oferta e procura.
9. Controlar reações – Quando se dispõe
de um eficiente sistema de controle das reações do
consumidor, pode-se fazer um correto programa de ajustes, calibrando,
seqüencialmente, a intensidade, volume e linguagem das campanhas.
Ao lado das sugestões acima, pode-se adicionar, ainda, uma
razoável dose de risco. É preciso um pouco de coragem
para se formular idéias novas, sem o que trabalhar-se-á
com a mesmice. E a rotina afasta consumidores.
Gaudêncio Torquato, in “Cultura, poder,
comunicação e imagem – Fundamentos da nova empresa”
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