O PROFESSOR GAUDÊNCIO TORQUATO PÕE À DISPOSIÇÃO DA CLIENTELA O SEGUINTE CONJUNTO DE CURSOS E PALESTRAS:

C U R S O S

P A L E S T R A S

Palestras com mais detalhes:

C U R S O S

1. SEMINÁRIOS DE COMUNICAÇÃO GERENCIAL/ADMINISTRATIVA

Curso para gerentes, supervisores e chefes.

O programa de comunicação gerencial da GT Marketing e Comunicação procura alcançar os seguintes objetivos:

  •   Permitir ao corpo gerencial o pleno desenvolvimento de suas habilidades comunicativas, de forma a abrir sua expressividade e, conseqüentemente, aperfeiçoar sua relação com a clientela.
  •   Desenvolver no corpo gerencial uma cultura proativa para as abordagens de comunicação interna, aperfeiçoando os fluxos de comunicação horizontal e vertical e dando maior fluidez às comunicações gerenciais.
  •   Instrumentalizar o corpo gerencial com noções técnicas de comunicação, de forma a melhorar habilidades específicas de comunicação escrita.
  •   Orientar o corpo gerencial sobre os posicionamentos dos veículos de comunicação nacionais, de modo a habilitá-los na compreensão de notícias e interpretações jornalísticas, dando-lhes condições de averiguar os valores e a ideologia dos grupos jornalísticos e as intenções das fontes de comunicação.

Duração do curso: 16 horas

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2. MELHORANDO HABILIDADES E CONHECIMENTOS DE COMUNICAÇÃO

Curso para profissionais da área de comunicação social
O objetivo desse curso é o de reciclar o corpo de profissionais que trabalham na área da comunicação social. O conteúdo do curso abrange aspectos relacionados às novas tecnologias da comunicação organizacional; a evolução no campo das estruturas comunicativas; as linguagens para a integração comunitária; criatividade em comunicação; linhas para reformulação de projetos; e os desafios da comunicação no mundo globalizado.

Duração do curso: 16 horas

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3. O PODER NAS ORGANIZAÇÕES

Curso para gerências e chefias intermediárias
Este curso pretende demonstrar como o uso do poder afeta as relações inter-pessoais e grupais nas organizações. O poder se expressa por diversas formas, tendo cada uma a sua influência junto à comunidade organizacional. Destaque especial será dada à comunicação, enquanto ferramenta de poder. O uso adequado desta ferramenta promove a eficácia do desempenho individual e coletivo.

Duração do curso: 8 horas

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4. UMA VISÃO DA COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES ESTRUTURA, PROCESSOS E FORMAS

Curso para gerências e chefias intermediárias e profissionais de comunicação, marketing e recursos humanos
Este curso objetiva apresentar um conceito sistêmico de comunicação, demonstrando as relações entre a ferramenta e os sistemas técnico-operacional, administrativo e de planejamento e recursos humanos. Trata-se de um roteiro útil e abrangente para se compreender e se trabalhar as diversas formas de comunicação em organizações simples e complexas.

Duração do curso: 8 horas

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5. ASSESSORIA DE IMPRENSA E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Curso para profissionais da Assessoria de Imprensa
O curso visa a reciclar o corpo de profissionais lotados nas Assessorias de Imprensa. Procurar-se-á mostrar as mudanças que ocorrem na sociedade, as novas motivações e interesses da mídia, os critérios de definição de pautas, as novas formas de interação com repórteres e editores. A idéia central é a de inserir a Assessoria de Imprensa na dinâmica das mudanças que se processam no campo organizacional e político. Destaque será dado ao papel da Assessoria dentro do Planejamento Estratégico da Organização.

Duração do curso: 8 horas

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6. COMO LER A IMPRENSA

Curso para dirigentes de empresas, gerências e chefias intermediárias
O curso visa a explicar e a orientar os corpos dirigentes e gerenciais a respeito das políticas editoriais e dos sistemas de operação dos meios de comunicação. São apresentadas as filosofias editoriais dos grandes veículos de comunicação, os perfis de seus dirigentes e proprietários, as maneiras de operação das editorias e o cotidiano das redações. Com esses ensinamentos, os corpos empresariais poderão efetuar uma leitura mais abrangente e adequada dos meios de comunicação, e, em conseqüência, poderão adaptar suas habilidades de fontes e porta-vozes.

Duração do curso: 8 horas

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7. PLANEJAMENTO E COORDENAÇÃO DE CAMPANHAS POLÍTICAS

Curso destinado a profissionais de marketing e comunicação, assessores de imprensa, consultores e assessores políticos.

O curso objetiva treinar e reciclar os quadros profissionais com os conceitos, formas e técnicas avançadas do marketing político. Serão apresentados todos os aspectos relacionados a uma campanha política, desde a formação da identidade e o estabelecimento do discurso até a estrutura de campanha, com passagens pelas pesquisas, programas eleitorais, materiais de campanha, treinamento de quadros, sistemas de financiamento etc.

Duração do curso: 16 horas

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8. MARKETING POLÍTICO PÓS-ELEITORAL - MARKETING DE GOVERNOS, PREFEITURAS, ASSEMBLÉIAS ESTADUAIS E CÂMARAS MUNICIPAIS

Curso para profissionais de marketing, assessores de imprensa, consultores e assessores políticos
O curso se destina a mostrar como deve ser feito o marketing pós-eleitoral. No Brasil, há pouca consciência a respeito dessa necessidade. O marketing é entendido apenas como ferramenta eleitoral. O marketing pós-eleitoral parte do planejamento do discurso governamental e parlamentar e abriga a formação de estruturas próprias e adequadas aos espaços dos Governos. O curso mostra todos os aspectos, fatores e determinantes do marketing pós-eleitoral, indicando as ações e preocupações das estruturas formadas para tratar da questão.

Duração do curso: 16 horas

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9. COMUNICAÇÃO, MARKETING POLÍTICO E ESTRATÉGIAS ELEITORAIS

O curso se destina a profissionais e assessores políticos e objetiva instrumentalizar os participantes com as estratégias, táticas, programas e projetos de comunicação e fornecer-lhes as condições básicas para a assessoria em campanhas eleitorais; estabelecer cenários ambientais e analisar as mudanças de comportamentos, valores e expectativas sociais; indicar e propor linhas para composição de programas e propostas de candidatos majoritários e proporcionais.

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Programa

  •   Mudanças ambientais; o jogo das relações sociais; fatores de pressão e condicionamento político; os novos perfis políticos e as expectativas sociais.
  •   O processo de comunicação.
  •   Formas de aperfeiçoamento de comunicação.
  •   A construção da identidade e a projeção de imagem; comportamento e posturas de candidatos ante as críticas da sociedade; a descrença social e o resgate de credibilidade.
  •   A construção do discurso do candidato.
  •   A organização da campanha: estratégias, táticas, programas e linhas de ação para a comunicação.
  •   A organização de programas eleitorais.
  •   A estruturação das assessorias: imprensa, propaganda, pesquisa, eventos.
  •   Articulação: reposicionamento nos métodos e processos.
  •   Perspectivas das campanhas ante mudanças propiciadas pela nova lei eleitoral.
  •   Cenário nacional versus cenário regional: aspectos divergentes e convergentes.
  •   Valores para aferição de um índice de Qualidade Política.

Duração do curso: 16 horas

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P A L E S T R A S

Palestras destinadas a empresários, dirigentes de organizações, executivos, profissionais liberais, quadros técnicos de empresas e organizações, profissionais de marketing, comunicação, assessoria de imprensa, recursos humanos, alunos de pós-graduação e graduação de escolas superiores.

1. A DEMOCRACIA NO BRASIL: PERSPECTIVAS E CENÁRIOS
Uma radiografia social, política e cultural do país, com cenários e perspectivas

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2. PANORAMA DA REALIDADE SOCIAL E POLÍTICA DO PAÍS E O PAPEL DOS PARLAMENTOS
O país abre horizontes de mudanças sociais e políticas. Como os Parlamentos e seus representantes devem maximizar sua atuação para ajustamento ao discurso social?

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3. TRAÇOS DO BRASIL: UMA LEITURA DO homo brasiliensis
Análise histórica e sócio-antropológica do brasileiro, com uma interpretação sobre o ethos nacional.

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4. OS DESAFIOS DO MARKETING PÓS-POLÍTICO ANTE AS MUDANÇAS EM CURSO NA SOCIEDADE
Os avanços sociais apontam, entre outros fenômenos, para a organicidade da sociedade e a conseqüente expansão da taxa de racionalidade. Como o marketing dos governantes deverá se cuidar para enfrentar os novos desafios?

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5. COMUNICAÇÃO E CULTURA ORGANIZACIONAL
Panorama conceitual da comunicação e sua relação com aspectos da cultura organizacional

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6. MARKETING INSTITUCIONAL E COMUNICAÇÃO
As organizações brasileiras tendem a incorporar com mais força os conceitos e as técnicas do marketing institucional e da comunicação. Como fazer isso de maneira mais eficaz?

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7. A TIPOLOGIA ORGANIZACIONAL E O PODER
Há, na organização, um conjunto de perfis hierárquicos que expressam variadas formas de poder. Como e em quê esses perfis afetam a dinâmica da comunicação e o poder, prejudicando ou maximizando o ideal de engajamento e participação da comunidade trabalhadora?

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8. COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS: UMA FERRAMENTA A SERVIÇO DO CIDADÃO
A comunicação nas organizações públicas está defasada. Carece de remodelação. Significa um banho de atualização e remontagem de estruturas e quadros. Como a comunicação pode ser uma ferramenta a serviço da Cidadania?

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9. REPENSANDO A COMUNICAÇÃO NAS EMPRESAS
Dos tempos iniciais da comunicação empresarial até os dias de hoje, avanços apreciáveis ocorreram. Muitas empresas, infelizmente, não perceberam as novas situações ambientais ou não estão preocupadas com a evolução dos conceitos e técnicas da comunicação moderna.

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10. COMUNICAÇÃO INTERNA: A CHAVE DA INTEGRAÇÃO COMUNITÁRIA
A comunicação e os processos de endomarketing não recebem a atenção e a importância que merecem. Bem planejada, a comunicação interna funciona como a principal alavanca da mobilização da comunidade, incentivando a participação e o engajamento dos trabalhadores.

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Aula inaugural ministrada em 5 março de 2001 no Curso de Pós-Graduação Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, coordenado pela Profª. Dr.ª Margarida M. Krohling Kunsch, na ECA-USP.

A comunicação como ferramenta estratégica

Na sociedade da informação e do conhecimento, marcada pela individualização das mensagens e qualidade no atendimento, a comunicação corporativa torna-se a principal disciplina do marketing estratégico das empresas

Prof. Dr. Gaudêncio Torquato

A Comunicação Empresarial, nos nossos dias, é entendida principalmente por meio de uma forma, a comunicação social. É necessário abrir a visão sobre outras formas. Em primeiro lugar, carece dizer que a comunicação assume uma posição cultural na organização. Quando as pessoas falam umas com as outras estão estabelecendo uma relação de comunicação. Existe uma área da comunicação cultural, que normalmente não é estudada e trabalhada operacionalmente pelos profissionais. Essa área da Comunicação Cultural mexe com os climas internos. Se um gerente, um diretor, quer saber o que está se passando na sua área, deve medir o clima organizacional, aferido a partir da cultura interna que é o arcabouço dos costumes, das personalidades, dos perfis das pessoas.

Há uma segunda dimensão de comunicação na organização que também não é percebida: é a chamada Comunicação Administrativa, que reúne os papéis organizacionais, cartas internas, memorandos. Em algum momento, a comunicação administrativa entope os canais da organização, prejudicando as operações administrativas. Expliquemos: as informações, ao invés de chegarem ao último profissional da linha, estacionam no meio em função de problemas gerenciais, do acúmulo administrativo, dos inúmeros canais de comunicação na organização. Numa pesquisa que realizamos para o Banco Itaú, concluímos que 95% dos materiais impressos produzidos não eram lidos pelos funcionários.

A terceira forma de comunicação dentro de uma organização é a Comunicação Social, envolvendo as áreas conhecidas como jornalismo, relações públicas, publicidade, editoração e marketing. É a mais desenvolvida, tanto do ponto de vista conceitual, quanto do ponto de vista operacional e tecnológico. E há uma quarta forma, que é a chamada Comunicação Cibernética, que reúne os sistemas de informação, os bancos de dados.

Por que todas essas formas de comunicação são estratégicas? Porque a comunicação deve funcionar como uma orquestra, onde metais, cordas, tambores, precisam permanecer em completa afinação. Qualquer forma de comunicação influi na outra. Um clima organizacional mal-trabalhado, mal-administrado, vai gerar problemas de comunicação social; um jornalzinho bem-feito, programas de relações públicas bem-elaborados, não vão resolver questões de clima, que dependem de salários, do entrosamento interdepartamental. As quatro formas de comunicação se afetam, uma alterando a outra.

A Comunicação como orquestra

A comunicação empresarial é, portanto, a possibilidade sistêmica, integrada, que reúne quatro grandes modalidades, cada uma exercendo uma função específica. A primeira, de laço, criando um sentimento de unidade, com todos se sentindo dentro de um mesmo grupamento. Trabalhando com esse conceito de orquestra, a comunicação também tem a função de clarim. Nesse sentido, ela trombeteia para anunciar aos públicos externos os negócios e a imagem da empresa. Há a função de diapasão, que procura criar uma linguagem homogênea. Registra-se, ainda, a função de apito, quando a comunicação convoca os participantes para atuarem no jogo organizacional. A comunicação empresarial também se assemelha a uma boca. A metáfora da boca quer significar a função da comunicação organizacional por meio do cochicho, dos aconselhamentos. Cada vez mais, a comunicação ganha status de planejamento e de consultoria, que se desenvolve através de funções da orientação, da leitura do meio ambiente, da interpretação de cenários e da assessoria aos sistemas decisórios, principalmente em momentos de crise.

Vamos comentar também os grandes saltos da comunicação organizacional nas últimas décadas. Há duas grandes fases na sua evolução: a década de 50, que praticamente se concentrou na ênfase ao produto, deixando a imagem das organizações para segundo plano. Na década de 60, vivenciamos a Era da imagem, que foi conceituada por um grande publicitário americano, David Ogilvy, que selou a fase ao dizer que um anúncio é um instrumento da marca a longo prazo. Essa definição fez com que houvesse um realinhamento na linguagem publicitária e se passasse a trabalhar o conceito das organizações. Percebia-se que os consumidores passavam a exigir não apenas uma informação a respeito do produto, mas também uma idéia a respeito da organização, ou seja, não lhe interessava se o relógio era bom. Ele queria saber quem fabricava o relógio. Passou-se a ter um mix entre imagem de produto e imagem de organização. A imagem institucional cobrindo a imagem dos produtos e vice-versa.

Nas décadas de 70 e 80, a comunicação já assumia um posicionamento estratégico nas organizações. Em termos de Brasil, identificamos alguns fenômenos que caracterizam as duas décadas. Do ponto de vista da comunicação interna, ela foi praticamente dominada, coordenada pela área de recursos humanos. O país emergia de um período autoritário. O medo reinava nos ambientes internos e as estruturas de recursos humanos passavam a controlar até os profissionais contratados. Vivia-se, portanto, sob o signo da comunicação de medo.

Internamente, percebia-se ênfase muito grande ao associativismo, à solidariedade, buscando-se fomentar o clima interno. A função do apito se tornava muito importante para convocar os trabalhadores a dar o melhor de si para a organização. Do ponto de vista externo, a propaganda continuava trabalhando o conceito da imagem organizacional. No final da década de 70, passamos a perceber uma disputa entre as diversas áreas que, ainda hoje, lutam para dominar a comunicação: recursos humanos, relações públicas, marketing, vendas, jornalismo. Os primeiros modelos corporativos de comunicação, então, começaram a surgir. Sem falsa modéstia, fui um dos primeiros a redesenhar o modelo corporativo de uma organização, quando dirigi a área de comunicação do Grupo Bonfiglioli, levando a experiência para uma tese acadêmica de livre docência na USP. Era o primeiro modelo corporativo envolvendo as diversas áreas da comunicação que assumia um patamar estratégico em nível de diretoria de empresa ligada diretamente à presidência. O modelo basicamente comportava assessoria de imprensa, publicações internas/editoração, marketing/propaganda (institucional e mercadológica), relações públicas/eventos e pesquisa.

Na década de 80, as organizações passaram a trabalhar o conceito de estratégia com mais força. A Era da estratégia se caracterizava pela necessidade da organização em ser a primeira do mercado e, no máximo, a segunda. Começou-se a trabalhar com conceito de posicionamento. Surgiram as grandes corporações e os modelos eram desenhados visando a centralização das chamadas funções meio - planejamento, recursos humanos, comunicação - e descentralização das chamadas funções fim - fabricação, vendas. A profissionalização, então, passou a ser muito forte e o profissional de jornalismo que saía das redações dos grandes veículos de comunicação passou a assumir funções importantes nas corporações. Um exemplo foi Miguel Jorge, da Volkswagen.

A década de 90

Na década de 90, passamos a vivenciar a globalização. Com o mundo globalizado, o universo da locução se abriu. Praticamente, a mídia especializada começou a exigir novos comportamentos profissionais. A comunicação com seus poderes ganhou intensidade, os lobbies se estruturaram e abriu-se a possibilidade para mais uma figura: o articulador, o assessor político, o diretor de relações institucionais, cujo centro das atenções era o Congresso Nacional, o Poder Executivo e o Poder Judiciário.

Nesta década, alguns fenômenos passaram a ocorrer de maneira muito intensa no Brasil. Com a sociedade mais organizada, as entidades intermediárias da sociedade mais forte, enfim, o universo associativo ganhou força em função até do descrédito do setor político. Este universo intermediário elegeu bancadas políticas como a dos religiosos, dos industriais, dos ruralistas. As comunicações, de uma certa forma, se fortaleceram no meio da sociedade abrindo a imagem das organizações junto à mídia e expandindo os canais de comunicação junto aos poderes organizados.

As empresas também se modificaram quebrando redomas. Os empresários deixaram suas salas bem-refrigeradas e foram visitar o chão de fábrica, enquanto novas relações com o consumidor foram estabelecidas. Na parte da comunicação interna, as empresas começaram a trabalhar de maneira muito intensa o chamado clima organizacional. A pesquisa se fortaleceu, ou seja, antes de adotar uma política de comunicação externa, a empresa decidiu examinar o grau de sua temperatura. A pesquisa passou a mapear as expectativas, os anseios, as angústias, as alegrias da comunidade, distúrbios gerados pela questão salarial, pelo ambiente físico da empresa, pelo tipo de cultura, pelo tipo de gestão.

Do ponto de vista da comunicação externa, a exigência se dava em torno da transparência e da maior visibilidade. A competitividade tornou-se cada vez mais aguda e a disputa para se fazer uma comunicação mercadológica por meio da publicidade ganhou grande intensidade. Com relação à qualificação profissional, já não existia mais a briga entre relações públicas e jornalistas, que, de certa forma, disputaram o poder nos últimos 20 anos. A regra no meio da década, que persiste, agora, é a seguinte: quem tem competência se estabelece, ou seja, não é mais importante saber se é um jornalista, um relações públicas ou um publicitário o profissional que dirige a comunicação. Nos jornais, também, este tipo de postura passou a existir. A Folha de S. Paulo, por exemplo, quebrou o monopólio das escolas de comunicação e aceita quem quer que seja, desde que tenha competência.

A década também foi rica em grandes mudanças no tocante às empresas. As multinacionais se refizeram, passando a fabricar produtos por meio de uma reengenharia operacional, que tem como princípio a junção de partes ou de componentes para fabricar um todo. E esses componentes podem vir até do exterior.

Um grande desafio do final da década de 90 é trabalhar com o conceito da globalização, respeitando-se, porém, as regionalidades, ou seja, preservando as culturas locais e conservando a identidade maior da organização.

Duas grandes revoluções ocorreram e estão influindo para determinar o modelo de comunicação contemporâneo: a revolução na informação, e a revolução no sistema de vendas e distribuição. As pessoas podem acessar produtos sem a necessidade de ir até o ponto-de-venda. As opções são várias. Vão desde as compras em um supermercado até a compra de aparelhos médicos sofisticados.

Essas duas revoluções provocaram conseqüências, como a queda acentuada da propaganda clássica, o aumento das despesas com promoção, o maior conhecimento sobre o consumidor, e a maior seletividade por parte do consumidor.

A marca e a identidade

Quais são, então, as linhas estratégicas que amparam a comunicação nesta Era globalizada? Aconselha-se, hoje, intensificar os meios e recursos para proteger a marca. Uma marca não tem preço. Existe, hoje, uma série de produtos congêneres, que ameaçam derrubar os pioneiros. Outra estratégia é redimensionar a comunicação e o marketing buscando formas mais pessoais de relacionamento com os clientes. No mundo globalizado, as coisas ficaram muito frias, muito artificiais, daí por que os meios de comunicação, como a TV por assinatura, estão criando formas mais interativas de comunicação com a clientela, convocando a população a participar dos eventos de vendas. A comunicação para atividades promocionais começa a ganhar porcentagem maior de verba. O marketing direto é a grande saída, passando a se constituir no Ovo de Colombo da época da globalização.

Outra estratégia que parece interessante está na aproximação e integração dos modelos ou das estruturas de comunicação. O modelo ortodoxo cede lugar a estruturas mais integradas. O comunicador está perto das vendas, integrando as estruturas e respeitando os profissionais. Também é estratégico implantar um sistema de informação mais completo do que o atual para se produzir uma radiografia completa do consumidor. Por mais que a globalização traga ícones, símbolos de outras culturas, não irá destruir a cara das regiões, dos lugares; daí por que as empresas multinacionais, mais que as nacionais, adaptam-se melhor às regiões pela facilidade de recursos, pela capacidade de profissionalização e contam com estruturas políticas mais fortes. A imagem institucional também está sendo trabalhada conjuntamente. Como conseqüência dessa estratégia, intensificam-se as parcerias.

Outra preocupação é com a integridade do conceito de empresa. Não dá mais para esconder um fato negativo que ocorra com a empresa. Não dá mais para jogar o lixo para baixo do tapete. É preciso abrir a janela. Se uma empresa erra, deve reconhecer que errou. É mais fácil corrigir o conceito reconhecendo a verdade do que procurar encobrir o erro. É preciso preservar o conceito de empresa assumindo proativamente o erro e dizendo que se busca a correção. Também é importante reforçar os laços com a mídia, desenvolvendo o conceito de reciprocidade. Mídia não se compra. E empresa tem que oferecer informação.

Também é importante trabalhar o marketing pessoal, levando o dirigente para um programa de media training. Às vezes, o discurso estético é tão importante quanto o semântico.

Quem pode tomar conta deste acervo estratégico? O perfil do profissional de comunicação nesta virada de milênio comporta alguns valores, alguns atributos. O profissional precisa assumir a postura de um estrategista político, ser um articulador, juntar as partes da empresa, quebrar arestas, ter bom relacionamento com a imprensa, relacionar-se com o sistema político, conhecer as lideranças que influem na vida da empresa. Precisa saber gerenciar conflitos, trabalhar bem os climas interno e externo, saber fazer planejamento, dominar as áreas clássicas da comunicação e possuir a noção de que, sob seu comando, deve haver um grupo de operadores eficazes.

11. "O PODER DA PALAVRA"
Uma análise abrangente da força que exerce a Palavra desde a Antiguidade. Como a palavra deve ser utilizada para aumentar a sua eficácia. Pequena gramática sobre o uso da Palavra. Valores e Princípios mais recorrentes na História da Palavra. E ainda: quem cultivou a palavra com mais eficácia ao longo da História da Humanidade?
Com observações agudas, dados, histórias curiosas e graça, tudo pontuado com palavras dos mais destacados perfis da História, o prof. Gaudêncio Torquato apresenta um didático e criativo cenário sobre a capacidade da palavra em afetar interlocutores e multidões.

12. A postura institucional da empresa em face da nova administação federal

1. INTRODUÇÃO
2. PROCURANDO LER UM SIGNIFICADO
a) O esgotamento da cartilha tecnocrática, escrita do A ao Z, acentuando o alfabeto econômico
b) A ascendência de forças centrípetas sobre os eixos centrífugos tradicionais do poder
c) O deslocamento dos eixos do poder
d) A força multiplicada de novos centros de decisão social
e) A emergência de um composto de forças com motivações díspares.
3. O CENÁRIO SOCIAL
a) A organicidade social
b) A Síndrome de Sísifo
c) A vontade de experimentar o novo
d) Saturação do perfil do brasileiro cordial
4. O CENÁRIO POLÍTICO
"Autonomia e independência" monitoradas
A nova aritmética eleitoral
Reformas pactuadas
5. O CENÁRIO GOVERNAMENTAL
O escudo social do Governo
"A nova aliança política"
6. O CENÁRIO DOS CONCEITOS POSITIVOS
à Inclusão social
à Ação social organizada
à Parceria e cooperação
à Balanço social
à Gestão democrática
à Ética e transparência
7. O CENARIO DO MEDO
Reversão de expectativas
- Inativos
- Funcionários públicos
- Setores produtivos
- Classes médias
- Grupos radicais
- Mídia
- Oposição partidária
8. POSTURA DAS EMPRESAS - Linhas de Ação Estratégica

13. O CENÁRIO SOCIAL E POLÍTICO E O MARKETING ELEITORAL PARA A CAMPANHA DE 2004

AS CONDIÇÕES DE 2004

ÁREA SOCIAL
- A síndrome de Sísifo
- A organicidade social
- A ascendência de forças centrípetas e o deslocamento do eixo do poder
- A vontade de experimentar o novo / resgatar o que deu certo no passado

ÁREA ECONÔMICA
- Descompressão econômica x rigorismo
- As pressões políticas

ÁREA GOVERNAMENTAL
- O escudo social do governo
- O carisma do presidente
- A verticalização do poder - dirigismo estatal
- A força da propaganda
- Governo virtual x governo real

ÁREA POLÍTICA
- A nova composição de forças
- O oposicionismo - a pressão dos grandes centros
- A força dos governadores

CAMPANHA DE 2004

CARACTERÍSTICAS
- Municipalizada x federalizada (plebiscitária)
- Ambiguidade na aliança com pmdb
- Apoio do petismo nacional
- Potencialização das disputas regionais

PLANEJAMENTO DO MARKETING

PESQUISA --- COMUNICAÇÃO --- ARTICULAÇÃO --- MOBILIZAÇÃO

1. Conhecimento do terreno
2. Organizar discurso - identidade
3. Planejar sistema de comunicação
4. Planejar articulação
5. Planejar sistema de mobilização
6. Preparar equipes
7. Estratégias
A. Eleitor
B. Adversário
C. Discurso - focos
D. Espaços - efeito sanfona/mobilização
E. Agenda de campanha

CONSELHOS FINAIS

1. Canalizar os meios para o fim - o objetivo
2. Garantir a base mínima para a vitória
3. Conserve seu objetivo sempre em mente - ganhar
4. Quando for necessário adaptar o plano à situação
5. Escolher a linha menos curva e de menores obstáculos
6. Explorar a direção de menor resistência
7. Siga na direção que ofereça objetivos alternativos
8. Ter um plano com dispositivos flexíveis e adaptáveis às situações
9. Não exercer um esforço enquanto o adversário estiver em guarda
10. Não renovar um ataque na mesma direção em que já fracassou uma vez