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A missão básica da comunicação interna
é contribuir para o desenvolvimento e a manutenção
de uma clima positivo, propício ao cumprimento das metas
estratégicas da organização e ao crescimento
continuado de suas atividades e serviços e à expansão
de suas linhas de produtos.
Essa missão será atingida pela consecução
integrada de metas temporais – definição de
intenções a serem implementadas em espaços
de tempo – e pela realização de diversos objetivos.
- motivar e integrar o corpo funcional na cadeia de mudanças
organizacionais, estabelecendo mecanismos e ferramentas de informação,
persuasão e envolvimento.
- criar climas favoráveis à mudança de realidade,
tornando a organização sensível às
transformações, graças à energia criativa
de seus recursos humanos.
- direcionar as ações para as metas principais,
racionalizar esforços, priorizar situações
e tomar decisões ágeis e corretas.
- contribuir para a alavancagem dos potenciais humanos, construindo
as bases de uma cultura pró-ativa e fundamentalmente direcionada
ao foco negocial.
- cristalizar os ideais de inovação e mudanças,
pela apresentação ordenada e sistemática
dos conceitos, princípios da integração sistêmica.
- criar elementos de sinergia inter-setores, contribuindo para
o desenvolvimento do conceito do trabalho cooperativo.
- aperfeiçoar processo e técnicas operativas, por
meios de comunicações claras, transparentes e ágeis
que permitam ao funcionário captar, absorver e internalizar
os inputs (as entradas, as mensagens) do sistema normativo, tecnológico
e operativo.
- reforçar o sistema de decisões, por meio de um
conjunto de informações que prestem a melhorar padrões
e critérios decisórios na organização.
- apoiar os novos conceitos que impregnam o modelo de gestão
destacando-se entre eles o conceito de unidades de negócios
(modelo descentralizado que propicia aos departamentos e setores
certa autonomia para a realização de metas e objetivos);
- abrir as comunicações ascendentes, permitindo
maior capacidade de vazão aos potenciais e energias criativas
do corpo funcional, maximizando a força produtiva da organização.
- despertar sentimento de vitória e orgulho em todos os
segmentos, fazendo-os conscientes de que o sucesso da organização
dará a cada um a contrapartida para o sucesso pessoal.
- apresentar a linha de produtos de forma que funcionários
de todos os níveis conheçam os produtos de sua organização.
- permitir aos níveis gerenciais maior compreensão,
melhor acompanhamento e interpretação das tendências
sociais e uma leitura crítica mais adequada dos cenários
políticos e econômicos, por meio de comunicações
especializadas.
- oferecer maior transparência aos objetivos e metas da
organização, facilitando a apreensão das
abordagens e promovendo maior engajamento dos setores, áreas
e departamentos.
- exibir imagem forte, pela passagem de um conceito de fortaleza
em movimento capaz de superar as dificuldades e os problemas.
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COMUNICAÇÃO
INTERNA: OS DESAFIOS DA INTEGRAÇÃO
Prof. Gaudêncio Torquato
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A COMUNICAÇÃO INTERNA
Um dos mais graves problemas da administração empresarial
é tomar a parte pelo todo. Situações isoladas,
projetos específicos em determinado setor, ângulos
especializados são, freqüentemente, usados para exemplificar
questões genéricas, de interesse amplo. Um dos casos
mais comuns ocorre em relação à comunicação
interna nas empresas. Nesse aspecto, os jornais internos assumem,
constantemente, na interpretação de muita gente -
incluindo até profissionais de comunicação
-, a posição de sinônimo de comunicação
interna.
Nada mais errado. Os jornais internos, boletins e mesmo revistas
constituem expressiva e importante parcela da comunicação
interna, mas absolutamente podem ser confundidos com todo o processo
de comunicação, nem mesmo podem representar a fatia
maior e mais significativa. Há outras formas, meios, projetos
e recursos. O que ocorreu, nos últimos anos, foi um forte
crescimento da comunicação impressa, por conta da
profissionalização e amadurecimento do setor e expansão
do número de profissionais do jornalismo empresarial, em
detrimento de outras posições da comunicação
interna. Vamos às explicações.
A comunicação interna nas empresas flui em duas grandes
redes. Uma formal, outra informal. Ambas processam formas variadas,
situações próprias,projetos específicos.
As comunicações orais, por exemplo, são tão
importantes quanto as comunicações impressas, mas
não recebem tratamento compatível e os profissionais,
com raras exceções, não estão lidando
com essa forma.
Para se ter idéia da importância das comunicações
orais basta lembrar que elas estão no cerne dos problemas
de relacionamento intersetores ou na raiz das soluções
de integração horizontal/vertical. Muitas questões
pendentes poderiam ser resolvidas por meio de uma receita que inclui,
necessariamente, baterias de contatos, reuniões de integração,
avaliação, análise, controle e feedback. Como
se percebe, as comunicações orais merecem atenção.
Ocorre que as comunicações orais, tanto como as impressas,
exigem finalidade, canais próprios, linguagem adequada, periodicidade
e oportunidade de uso e veiculação, número
de interlocutores, tempo de duração de contato, espaço
físico apropriado para abrigar harmoniosamente, o evento
e bom senso em sua realização. Se a chamada comunicação
dialógica é a ideal para efetiva integração
das partes, os programas de comunicação oral se encaixam,
irreversivelmente, no planejamento das políticas de comunicação
das empresas. Será que esses aspectos são lembrados
na hora do planejamento?
Do ponto de vista de rede, os profissionais estão mais preocupados
com a chamada rede formal, oficial, constituída pelos canais
descendentes, de cima para baixo. A rede informal, ou por falta
de conhecimento em torno de seu potencial, ou porque não
se apresenta de maneira tão visível quanto a outra,
fica sempre relegada a segundo plano. Aqui, ocorre o mesmo erro
de percepção. A rede informal é um amálgama
de interesses, expectativas, frustrações, alegrias,
espontaneidade, desconcentração da comunidade. Por
ela, vazam os sentimentos mais genuínos do público
interno. É preciso muito cuidado e compreensão para
com a rede informal.
O estudo dessa rede passa por uma detalhada prospecção
sobre sua natureza e extensão, que localizará pontos
de tensão, líderes informais, grupos de influência,
áreas de atrito, velocidade e agilidade da informação.
Não se trata de combater a rede informal, ameaçar
pessoas ou segmentos, mas, ao contrário, o estudo da rede
informal possibilita o trabalho de argumentação e
convencimento, no sentido de situar todos os grupos no espírito
de corpo da organização. Em algum momento, a rede
informal trabalhará no sentido positivo.
Em ambas as redes, existem diversas e eficientes maneiras para se
costurar os fios da comunicação interna. Há
os projetos de vídeo, que chamam a atenção,
pela possibilidade criativa de se usar recursos modernos e equipes
internas na preparação e produção dos
programas, das reportagens, lembretes, notas, fatos pitorescos da
vida comunitária, tudo narrado em linguagem de televisão,
para uma audiência que se mostra, cada vez mais, interessada.
Há os importantes quadros de avisos, murais, espaços
abertos, por onde passam comunicações operacionais,
informações normativas, avisos departamentais, informações
utilitárias, com pequenos anúncios classificados de
compra, venda e troca. Ou até espaços para manifestações
livres, espontâneas, uma espécie de mural-sem-censura,
de natureza cultural, artística, de integração
social. Pode-se trabalhar no planejamento, replanejamento, reorientação
do programa da comunicação ascendente, com preocupação
de buscar idéias novas, simples, funcionais. Tais projetos
até servem para fortalecer programas mais amplos de administração
participativa. Em algumas empresas, desenvolve-se o programa Espaço
Social, dentro do qual movem-se grupos diversos, qua analisam, debatem
e planejam. O acervo de sugestões integra o plano anual de
metas de cada setor.
A comunicação interna, portanto, deve ser entendida
como um feixe de propostas bem encadeadas, abrangentes, coisa significativamente
maior que um simples programa de comunicação impressa.
Para que se desenvolva em toda sua plenitude, as empresas estão
a exigir profissionais de comunicação sistêmicos,
abertos, treinados, com visões integradas e em permanente
estado de alerta para as ameaças e oportunidades ditadas
pelo meio ambiente.
OS JORNAIS EMPRESARIAIS
Os jornais constituem expressiva parcela do sistema de comunicação
interna de uma empresa. Eles exercem importante papel para os objetivos
e metas de integração comunitária, segurança
no trabalho, aperfeiçoamento de clima, preservação
de cultura, transparência normativa, desenvolvimento e treinamento
de pessoal, controle de qualidade, lazer e associativismo, desburocratização,
introdução de mudanças e aumento de produtividade.
Já se passaram os tempos em que se discutia a validade dos
jornais internos. Apenas uns poucos renitentes ainda persistem na
velha tecla de considerá-los ineficazes. Possivelmente, os
jornais que eles conhecem ainda têm cara de mofo. A maioria
dos jornais internos, produzidos de maneira profissional, cumpre
satisfatoriamente sua missão. Reconhecida, aliás,
pelos leitores e patrocinadores.
Há uma questão, porém, que continua acendendo
os debates e dividindo as opiniões. Trata-se da proporção
dos conteúdos e das formas de linguagem dos jornais de empresa.
Há quem defenda o princípio de que os jornais de empresa
devem se assentar sobre uma base de conteúdo preponderantemente
empresarial, enfatizando ocorrências e fatos de interesse
da empresa. Há quem sustente que um jornal, para ser bem-feito,
deve priorizar mensagens que tenham origem na comunidade. Para mediar
os interesses, surge um terceiro grupo de pessoas que ficam na coluna
do meio, garantindo que a receita ideal é a velha fórmula
norte-americana do 50%-50%.
Esta discussão é bizantina e inócua. Não
leva a grandes resultados ou a resultados sérios, porque
deixa de contabilizar as realidades de cada universo, as peculiaridades
de cada comunidade, os modelos diferentes de gestão, os tipos
de produtos, as culturas específicas. Não se pode
falar em proporções estatísticas quando o objeto
é um produto da área humano-psicossocial, que é
diferente de empresa para empresa. Portanto, os modelos de jornais
devem considerar as realidades ambientais.
Outra falha de percepção é imaginar que as
coisas que interessam à empresa não interessam ao
empregado e vice-versa. Estou cada vez mais convencido que os empregados
de uma organização necessitam saber, cada vez mais,
a respeito de dados e posições estratégicas,
metas, programas. Quanto mais ele conhece a organização,
mais se integra e se adapta ao estilo administrativo. A recíproca
é verdadeira. Muitos empregados ficam marginalizados, porque
não conhecem a empresa.
As informações sobre as necessidades comunitárias,
anseios, expectativas, comportamentos constituem, igualmente, fatia
importante das pautas. Porém, essa espécie de informações
não pode ser quantificada. As circunstâncias determinarão
as ênfases. A questão não é aritmética,
como alguns editores de jornais parecem insistir. Outro ponto de
divergência gira em torno da linguagem. Aberta, coloquial,
descritiva, narrativa, seca, objetiva, movimentada, adjetivada,
substantivada: esses são os termos normalmente usados nas
discussões sobre jornais de empresa. Alguns temem usar formas
variadas, porque poderiam marcar as publicações como
um "aleijão lingüístico", outros ficam
sem saber como agradar, ao mesmo tempo, um diretor, altamente especializado,
e um peão, com seu vocabulário modesto e simples.
Pois bem. Qualquer bom jornalista aconselharia: a linguagem do jornal
é intermediária. Nem lá nem cá. Isto
é, nem a linguagem exageradamente técnica nem a marcadamente
coloquial. Muitos sabem que há tipos de matérias -
os perfis humanos - que comportam linguagens mais amena e descontraída.
Há matérias departamentais que necessitam de uma forma
mais descritiva, explicativa. E há informações
rápidas que exigem o tom objetivo, direto. A regra do grande
jornal é o melhor parâmetro.
Muitos jornais internos exageram nos pronomes pessoais, elogios
fartos, parabéns em conclusões de matérias,
denotando tratamento amadorístico. O coloquialismo que se
pretende imprimir à linguagem dos jornais internos não
pode ser confundido com abordagens ufanistas, intimistas e provincianas.
O fato de ser um jornal menor, do ponto de vista de formato, número
de páginas e se dirigir a uma comunidade, não exclui
a técnica profissional.
Os jornais internos possuem ainda a função de contribuir
para a elevação dos padrões culturais da comunidade.
Nesse sentido, é oportuno enriquecer a proposta editorial
com mensagens que tragam para o trabalhador uma compreensão
dos contextos, dos problemas e circunstâncias que os cercam.
Não podem os jornais internos criar modelos de comunidades
ilhadas, isoladas de um mundo em permanente mutação.
A SAÚDE DO AMBIENTE INTERNO
Um dos principais desafios dos administradores tem sido o de diagnosticar,
com razoável grau de acerto, as causas das insatisfações,
angústias, frustrações, tensões e ansiedades
que brotam, com freqüência e intensidade, no ambiente
interno das organizações. O tratamento que se tem
dado ao chamado clima organizacional, aqui entendido como o caldo
cultural resultante dos comportamentos humanos, dos modelos de gestão
e políticas empresariais, é, ainda, no Brasil, bastante
precário. Pode-se inferir que boa parcela dos programas adotados
pelas empresas é ineficaz, porque não há adequados
diagnósticos internos.
O arco de problemas enfeixados pelo clima organizacional é
freqüentemente administrado por visões particularistas
e sentimentos pessoais, dentro de abordagens intuitivas, pouco técnicas
e profissionais. Observa-se frágil disposição
em sistematizar os tipos de problemas, agrupá-los em categorias
diferenciadas, medir sua importância para o equilíbrio
interno e implantar medidas adequadas.
Inadequações nos programas de benefícios (médicos,
odontológicos, hospitalares, sociais), frustrações
do corpo funcional ante a política de promoção,
pouca clareza e transparência normativa, imensas dificuldades
nas comunicações inter-setoriais e departamentais,
exagerada massa de papéis obstruindo os canais internos,
inexistência de articulação no fluxo vertical
de comando, tensões criadas pela agilidade da rede de boatos,
constituem, entre outras, distorções que devem ser
avaliadas e tratadas em escalas próprias. Conhecer onde começa
e onde acaba cada questão é fundamental, para que
se tome a melhor decisão e a solução mais eficaz.
A tentativa, portanto, de estabelecer uma completa lista de situações
compreende o primeiro passo de um programa na área de clima
organizacional. Dividir as situações por categorias
é o passo seguinte, a fim de que o assunto possa ser entendido
em sua dimensão técnica, humana, grupal e normativa.
Medir a intensidade das divergências, identificar sua freqüência
junto aos diversos segmentos de empregados e estabelecer cruzamentos
entre os problemas levantados é outra etapa, só cumprida
com competência quando se realiza uma investigação
em profundidade.
s pesquisas internas, porém, são geralmente mal recebidas
ou fogem ao rigor técnico que delas deve-se exigir. A grande
dificuldade se relaciona à cobertura de amostras significativas
dos públicos internos, que abrangem desde os altos níveis
de diretoria e vão até o nível dos peões.
Descobrir as maneiras de "captar" os sentimentos enrustidos
no tempero de cultura da empresa é tarefa prioritária
dos administradores da área humano-psico-social.
Muitos executivos, por seu lado, temem conhecer a realidade mais
profunda das culturas organizacionais. Imaginam que, escamoteando
a verdade, com medidas paliativas e rotineiras, conseguem "levar
com a barriga" a torrente de conflitos internos. Para se fixarem
no cargo, evitam mexer no âmago das questões, imaginando
que o leque de críticas poderia ser entendido como reação
negativa aos programas por eles dirigidos. Dessa forma, falham como
profissionais, pois, ao invés de administrar tensões,
procuram abafar as demandas e anseios da comunidade.
O conhecimento da cultura das organizações deve integrar
a descrição de atividades de profissionais de recursos
humanos, comunicação e suas especialidades. E os dirigentes
precisam prestigiar políticas que contemplem o conhecimento
do ambiente interno, porque tais medidas integram, verdadeiramente,
o repertório prevencionista, escopo de qualquer empresa que
trabalha com conceitos de planejamento estratégico.
A POLÍTICA DO LAZER
Qual deve ser a contribuição das empresas na organização
das atividades associativas dos empregados? Que tipo de relacionamento
precisa existir entre empresas e associações desportivas
classistas, entidades responsáveis pelo fomento nos setores
de lazer e cultura dos empregados? As empresas devem promover eventos
diferentes e paralelos aos organizados pelas associações
dos empregados?
Essas questões têm sido objeto de muita polêmica
e desgaste entre profissionais de Recursos Humanos e Comunicação,
os mais envolvidos no trato dos programas de lazer e associativismo
da comunidade. Por trás das dúvidas, o clássico
problema: a ajuda direta aos empregados em suas propostas de lazer
não disfarçaria uma política paternalista?
Os empregados não veriam na atitude colaboracionista da empresa
uma forma camuflada de intervencionismo em sua associação?
O tema comporta alguns pontos de análise. Em primeiro lugar,
há que se ressaltar a importância de um amplo e bem
organizado plano de atividades sociais para o estabelecimento de
um clima saudável e integrativo. O lazer, principalmente
na forma de eventos que reúnem grupos, seções,
setores, cumpre a função de cadeia interativa, pela
qual sedimentam-se a amizade, a solidariedade grupal, a união,
o companheirismo e o congraçamento.
Empresas que possuem espaços próprios para o associativismo
- clubes, quadras esportivas, salões, áreas verdes
- estão um passo adiante de outras que não dispõem
de estrutura. O problema é que algumas daquelas áreas
ficam distantes do local de trabalho ou da região que sedia
os trabalhadores, motivo de desinteresse por parte dos potenciais
freqüentadores. Apesar do transporte gratuito oferecido, constata-se
esvaziamento de muitas sedes clubísticas, nos fins de semana,
quando o normal, no contexto dos conglomerados urbanos, seria a
corrida do lazer.
Mas com uma infra-estrutura montada, será possível
fomentar a participação. Muitas empresas não
esperam a programação das entidades de empregados,
tomam a dianteira no planejamento dos eventos. E aí surgem
os problemas. As festas são olhadas com suspeição
e, sem apoio efetivo da comunidade, deságuam em grandes fracassos.
É evidente que o engajamento e a participação
maciça ocorrem quando os próprios empregados são
motivados e envolvidos no planejamento. Como, porém, motivar?
O caminho mais lógico para o engajamento seria por intermédio
das entidades e de seus líderes, que precisam armar um eficiente
esquema de comunicação e uma programação
de boa qualidade, se querem manter credibilidade e autoridade moral
sobre os liderados. Isso é muito difícil. Os dirigentes,
ou estão muito atarefados em suas atividades rotineiras,
ou perderam o entusiasmo, integrando a chapa da diretoria apenas
para constar. Assim, acomodam-se e abandonam suas responsabilidades.
Nesses casos, as empresas devem tomar a iniciativa. Não se
pode deixar inerte e sem uso uma infra-estrutura de lazer. A iniciativa
das empresas pode ser, também, de maneira indireta, por meio
do incentivo às diretorias das entidades. Quando tal situação
se demonstrar inviável, não há remédio
melhor que uma ação pró-ativa de restabelecimento
da programação.
O importante, em todos esses aspectos, é procurar preservar
a atividade associativa, mesmo que, num primeiro instante, possa
ser olhada com desconfiança. Dependendo da qualidade e com
o tempo, os eventos começam a atrair os empregados. A política
do vai-e-vem, agora, é aconselhável. Isto é,
novamente engajados na programação, os empregados
devem ser envolvidos na implementação das ações,
afastando-se a empresa para a posição de retaguarda,
oferecendo a ajuda indispensável, em forma de contribuições
pecuniárias e infra-estrutura de apoio.
Grupos de teatro, corais ou grupos musicais constituem uma forma
de expressão cultural muito difícil de se implantar,
numa organização. A estratégia da empresa,
em relação a esses grupos, deve ultrapassar a simples
ajuda financeira, para abranger cuidados, do tipo localização
e identificação de líderes informais, que possam
efetivamente se engajar nas promoções. A força
aglutinadora do líder informal é básica, num
primeiro momento, para o sucesso do empreendimento.
Quando os grupos estiverem funcionando a contento e o sucesso brotar
com as primeiras apresentações, o entusiasmo se alastra
e toma conta dos participantes, fazendo com que cada grupo encontre
seus caminhos, andando por sua própria conta. Mas o empurrão
inicial é fundamental. Interessa, acima de tudo, fazer brotar
a semente da efervescência participativa. E a semente não
brota, se não receber água e condições
ideais para cultivo.
O relacionamento das empresas com associações classistas
dos empregados não se pode guiar por atitudes medrosas ou
receio de paternalismo. Afinal de contas, a função
social das empresas acolhe práticas de assistência
cultural e de lazer, o que não pode ser confundido com paternalismo.
A atitude franca, aberta, de diálogo permanente, sem censuras,
é aconselhável a posturas de esconde-esconde e medo.
Estamos vivendo uma época de comunicação aberta
e os espaços devem ser preenchidos com sinceridade mútua
e jogo aberto de idéias.
Quando existe confiança nas partes, o relacionamento torna-se
cordial, apesar de posições sustentadas com destemor.
Não temo, portanto, um contato direto com as entidades representativas
dos interesses dos empregados. Aliás, isso não é
apenas aconselhável, mas uma própria exigência
dos novos tempos.
RITO, SÍMBOLO E FESTA
Certa feita, assessores de Napoleão, o poderoso general francês
que estendeu seus domínios sobre quase toda Europa, ao perscrutarem
sobre a importância de uma simbólica e esquecida Medalha
da Legião de Honra, por ele recuperada como galardão,
receberam uma significativa resposta: "Vocês conquistam
homens com quinquilharias e pequenas coisas, não com palavras".
A réplica napoleônica é uma mistura de cinismo
e visão realística da natureza humana. Os ritos e
símbolos exercem extraordinário poder sobre os homens.
Não é à toa que o exercício do poder,
desde os tempos mais remotos, tem-se cercado de uma cultura de ritos,
símbolos e festas. Diz-se até que o símbolo
estaria fixado ancestralmente no subconsciente dos homens, agindo
por si mesmo, à maneira de reflexos inatos ou automatismos,
sem que haja necessidade de formar reflexos condicionados para torná-los
atuantes.
A lembrança ocorre a propósito da cultura empresarial,
também ela dependente de uma carga litúrgica que impregna
os participantes com valores simbólicos de forte efeito integrativo.
Medalhas de honra, festas sociais, agradecimentos de dirigentes,
comemorações cívicas, inaugurações,
discursos solenes, cenários enfeitados constituem, deste
modo, aspectos diferenciados e rotineiros de uma prática
que confere ao poder formal efeitos mágicos e sagrados.
Não estou, em absoluto, pregando a exacerbação
das liturgias do poder, por reconhecer que os excessos e extravagâncias
conduzem os dirigentes e governantes a uma política demagógica
de efeitos danosos aos sistemas e agrupamentos sociais. Entenda-se
a explicação como tentativa de refletir sobre a missão
exercida pelos rituais, principalmente no que diz respeito aos objetivos
de integração e participação comunitária.
Não posso, porém, deixar de defender a adoção
de uma postura litúrgica condizente, que se pode, de maneira
geral, definir como a prática de alguns ritos e cerimônias,
disciplinados pela natureza do trabalho, resultados obtidos pelos
trabalhadores, necessidade de emulação interpessoal
e grupal e "esquentamento" do clima interno. Os jogos
práticos esportivos, os lazeres diferenciados, os prêmios
de estímulo, os reconhecimentos, as láureas de mérito
recompõem, de alguma forma, carências ditadas pela
base psicológica do trabalhador e atribuem ao ambiente um
clima de humanização, tão necessário
para contrabalançar a estrutura rígida, disciplinada
pela férrea burocracia e rigorosos padrões de autoridade.
O modelo fortemente burocratizado de Max Weber para as organizações
necessita, certamente, de um sistema de recompensas, que além
dos salários, encontra nos rituais importante referência.
O desafio que se impõe a uma empresa está na dosagem
exata de valores e elementos para equilibrar a dualidade do eixo
racional-psicológico do ambiente de trabalho. Quando esse
equilíbrio fica ameaçado por excesso de peso, num
dos sistemas (autoritarismo exacerbado ou liberalismo exagerado),
rompe-se o fluxo harmonioso que deve tecer as relações
entre empresa e empregado.
Outra dificuldade está na descoberta dos tipos de cerimônias
adequadas para "esquentar" a cultura. Elas não
podem maltratar os anseios, expectativas ou contrariar as rotinas
da empresa. Essa é a razão pela qual cada organização
deve auscultar, sentir, perquirir e, a partir daí, selecionar
e planejar os costumes. Há alguns acontecimentos que já
integram o calendário empresarial, como cinqüentenário,
os 25 anos de empresa do empregado, a aposentadoria, festas de fim
de ano, consecução final de planos, datas festivas
das cidades.
As práticas litúrgicas, por sua vez, carecem de cuidados.
As rotinas demonstram que há uma infinidade de posturas e
comportamentos que determinam maior eficácia nos encontros:
maneiras de um presidente sentar-se, modo de se dirigir aos participantes,
número ideal para obtenção de resultados de
um evento, seqüência temporal das ações,
ambientação física.
Até os pequenos atos, de maneira quase imperceptível,
contêm certo ritual, e sua eficácia, às vezes,
é conferida por suas dimensões litúrgicas.
A importância da liturgia numa organização é,
enfim, avaliada pela aura psicológica que desenvolve internamente.
Sem o calor da cerimônia, os eventos perdem sua graça,
ritmo, magia e encantamento, ficando seus efeitos muito esmaecidos.
Cuidados, porém, são necessários. Recordo,
a propósito, a imagem do político nordestino que,
desejando imprimir tom de grandiosidade a seu discurso, apelou para
o ritual demagógico e circense de enfiar a mão numa
gaiola para tirar um passarinho. No afã de concluir, de maneira
apoteótica, seu discurso sobre a liberdade do homem, arrebatado
em seu paroxismo, comprimia freneticamente o pássaro com
a mão direita, enquanto, delirante, deitava as palavras finais:
"E, para simbolizar o espírito de liberdade do homem,
vou soltar este passarinho". Abriu a mão, o pássaro
estava morto. O rito exagerado asfixia os atores sociais.
A FEBRE DAS REUNIÕES
Uma das principais ferramentas da gestão empresarial precisa
de socorro. Se não receber tratamento de choque, continuará
a definhar, ameaçando tornar-se uma coisa sem sentido, ineficaz.
Trata-se da reunião, um evento rotineiro que tem perdido
imensa parcela de suas funções, principalmente em
razão de metástase, responsável por sua rápida
e desorganizada proliferação pela empresa.
A reunião é um dos principais canais de comunicação
nas organizações. Necessárias como instrumento
técnico para fundamentar princípios de coordenação,
as reuniões propiciam a mobilização de idéias,
experiências, trocas de ponto de vista e originam diretrizes
norteadoras de atividades, tarefas e serviços em equipe.
Seu desgaste, porém, é visível, a ponto de,
constantemente, estar servindo de chacota. Em muitas empresas, reunião
é sinônimo de embromação, enrolação,
digressão sem futuro, acomodação, perda de
tempo e até catarse grupal.
O desprestígio ocorre por diversas razões. Primeiro,
porque abusa-se de sua necessidade. Para qualquer questão,
convenciona-se fazer uma reunião. Ademais, as reuniões
padecem do vício da acomodação, transformando-se
em encontros sem objetivo, improvisados. Em muitas oportunidades,
os participantes desconhecem as pautas indicativas dos trabalhos
e discussões, a mecânica de participação
e o tempo de duração. Em outros casos, a reunião
é apenas válvula de escape de uma situação
que não encontra respostas objetivas ou soluções
de consenso. Faz-se a reunião para tentar equacionar os pontos
de vista.
A ausência de um planejamento resulta em milhares de horas/ano
perdidas ou apenas parcialmente aproveitadas. De tão acostumadas
a reuniões ineficazes, os participantes desenvolvem uma insensibilidade,
que os torna anestesiados, a ponto de não poderem distinguir
mais entre resultados concretos e simples palavrório. E o
estado geral de dormência tem o efeito de unir os interesses
dos participantes, numa espécie de "conspiração"
a favor do "festival de reuniões", que passa a
assumir funções quase lúdicas ("trocar
algumas idéias, bater um papinho, dar uma descansada na cabeça,
contar ou ouvir algumas piadas, saber as últimas").
Identifica-se nas reuniões uma das maiores confusões
em torno de dois conceitos fundamentais ao processo de gestão.
Trata-se da conceituação de eficiência e eficácia.
Os participantes de um grupo podem ser extremamente eficientes em
seu desempenho individual, mas pouco eficazes quanto aos resultados
gerais do encontro. Ou seja, cada pessoa, isoladamente, pode desenvolver
habilmente sua argumentação, emitir com competência
e segurança conceitos e opiniões, responder, com desenvoltura,
às interlocuções dos colegas, atingindo, assim,
desempenho admirável. Todos podem, em maior ou menor grau,
atingir razoável eficiência. Mas a reunião pode
ser um fracasso quanto a resultados, isto é, pode ser pouco
eficaz. É como no futebol. Os jogadores podem ser, individualmente,
eficientes e dar um show de bola, mas o que vale, mesmo, é
ganhar o jogo, é bola no gol. Reunião sem gols, sem
resultados, é ineficaz. A imagem futebolística talvez
ajude os participantes dos grupos de trabalho a aperfeiçoarem
sua performance. Mas a compreensão a respeito da natureza
da reunião é, igualmente, importante. Nesse sentido,
é imprescindível aclarar os objetivos, partindo-se
do princípio de que eles são bem diferenciados, de
acordo com a tipologia das reuniões. Vejamos alguns tipos:
a. Reuniões de integração - Seu intuito é
de melhorar as relações entre participantes, ajustando
os posicionamentos inter-pessoais, de forma a propiciar maior fluidez
às decisões, implementação de operações
e aumentar os níveis de solidariedade grupal.
b. Reuniões de avaliação e controle - Servem
para aferir resultados, controlar sistemas e processos e apontar
novos caminhos e correções. Esse tipo constitui importante
mecanismo de comunicação ascendente, vital para o
processo decisório, na medida em que permite à alta
gestão e ao corpo gerencial um panorama global das atividades
e metas.
c. Reuniões de distribuição de tarefas - Trata-se
de reuniões objetivas, com claras informações
sobre serviços, processos e tarefas a serem desenvolvidas
pelos participantes. Evitam duplicações de atividades
e oferecem condições para a coordenação
eficaz.
d. Reuniões de brainstorming - São encontros que objetivam
extrair dos membros do grupo o maior número de sugestões,
idéias e pontos de vista a respeito de temas específicos
e localizados. A técnica da conhecida "tempestade de
idéias" consiste em se fazer com que cada participante
fale abertamente o que pensa, sem censura e interrupção,
para, numa segunda etapa, após o pensamento de todos, apurar-se
um conjunto significativo de pontos temáticos. É muito
eficiente, quando bem planejada.
e. Reuniões para instruções normativas e estratégicas
- Pouco usuais, são indicadas para níveis mais altos
e têm como finalidade básica a apresentação
e discussão em torno de aspectos estratégicos, políticos
e táticos. Mais usadas em tempos de conturbação
e crise, quando se procura adequar o modelo de gestão às
circunstâncias temporais do macro-ambiente.
f. Reuniões de sondagens e pesquisa - Encontros mais descontraídos,
abertos, que funcionam como uma dinâmica de grupo, onde o
interesse maior é o de sondar determinados segmentos internos
a respeito de questões variadas, como situações
de clima organizacional, políticas de benefícios,
lazer, alimentação, transportes. O bom planejamento
não pode deixar de lado as pautas e a agenda, a definição
do número de participantes, o local, a mecânica de
desenvolvimento, o tempo de exposição e de debates,
entre outros aspectos. Dar um basta no festival de reuniões
ou replanejá-las, eis o conselho. Assim, pode-se melhorar
sua eficiência e injetar "sangue novo" a um doente,
que está, visivelmente, anêmico e, pior, sem muita
credibilidade.
O EFEITO CASCATA DOS PAPÉIS
Os abusos burocráticos das empresas são responsáveis,
entre outras mazelas, por um fenômeno que podemos chamar de
terrível efeito cascata, pelo qual se explica a tendência
geométrica de multiplicação dos papéis.
Ao aterrissarem nas mesas dos destinatários, os papéis
acendem impulsos e estimulam o nascimento de novos comunicados,
memorandos, avisos, ordens internas, normas, solicitações,
pedidos de esclarecimento, formando um imenso caudal de comunicações
normativas.
O paradoxo reside no fato de que quanto maior for o volume de papéis,
tanto maior dificuldade para compreensão de situações
e menor eficácia no processo de comunicação.
Explica-se essa hipótese pela constatação de
que uma infinidade de papéis exigirá maior esforço
dos usuários, mais tempo para leitura e, logicamente, dificuldades
para os processos de apreensão, captação e
retenção de informações. Em conseqüência,
inunda-se a rede formal de comunicações com uma massa
de informes, freqüentemente mal redigidos e com péssima
apresentação visual, que estancam sobre as escrivaninhas,
entupindo os canais.
Costumo associar a quantidade de papéis de uma organização
ao jogo de poder que se estabelece entre setores, á natureza
autoritária ou participativa que caracteriza o modelo de
gestão, ao tipo de presidente e ao perfil global de seus
quadros humanos. Quando as empresas chegam ao limite de massificação
nos canais de comunicação descendente - de cima para
baixo - sufocando quase completamente os canais ascendentes - de
baixo para cima - algo está errado e precisa ser urgentemente
corrigido.
Ocorre que as preocupações de muitos executivos no
sentido de calçar suas áreas com formas múltiplas
e variadas de normas, ás vezes, até conflitantes,
a vontade de enviar memorandos em seqüência, a dispersão
e profusão que caracterizam o sistema normativo acabam por
entupir o fluxo de comunicação descendente, gerando
algaravia e pouca capacidade de assimilação das mensagens.
Quando se sabe que os canais ascendentes têm extrema importância
para o processo decisório, fica patente a fragilidade das
empresas que não procuram incentivar os canais de controle.
Entre estes, lembro os relatórios de atividades, as avaliações,
as pesquisas, as demonstrações de resultados, as reuniões
com níveis operacionais, os círculos de controle de
qualidade, as caixas de sugestões e os bancos de idéias,
as conversas diretas com as chefias.
Não tenho dúvidas sobre a necessidade de muitas empresas
realizarem extraordinário esforço para limpar seus
papéis, apresentarem normas e procedimentos claros e, se
possível, curtos, objetivos, e partirem para decisões
corajosas, do tipo abertura de diálogos e contato direto
com todas as categorias, reuniões de controle, aperfeiçoamento
dos mecanismos de participação comunitária
no processo decisório e agilidade nas decisões.
Muitos dirigentes temem em abrir os canais de comunicação
com os empregados, por acharem que a medida viria, de alguma forma,
fragmentar o espírito de hierarquia. Trata-se de uma visão
ultrapassada. As gestões modernas, nos Estados Unidos, na
Europa, para não falar no modelo participativo japonês,
estão aí para comprovar a eficácia dos processos
que levam em conta a efetiva participação da comunidade
nos sistemas normativos de decisão. Algumas empresas do nosso
parque industrial começam a trabalhar seriamente na desburocratização
de seus modelos e, pelo que se sabe, com resultados animadores.
A meta de desburocratização não consiste apenas
no corte drástico de papéis, como se pode pensar,
num primeiro momento. Uma empresa pode ter poucos papéis
e permanecer muito burocratizada. Um programa de desburocratização
implica, sobretudo, em mudanças de mentalidade, em procura
de novos sistemas e métodos que, por sua simplicidade, originalidade
e criatividade, podem ajudar uma empresa a atingir mais rapidamente,
e com maior eficácia, os objetivos programados. A reciclagem
geral da cultura interna é, portanto, o primeiro caminho.
A imitação de experiências de desburocratização
pode igualmente não dar certo, na medida em que cada empresa
precisa adotar critérios próprios, que combinem adequadamente
com seu perfil de negócios. Não há uma data
para encerramento do processo de inovação. A procura
de alternativas de modernização e desburocratização
constitui um processo permanente e não se esgota com os primeiros
achados criativos. Qualquer tempo é bom para começar
e os alicerces de um programa deverão abarcar as possibilidades
técnicas e todos os canais que protejam a cultura da organização
sobre a comunidade.
É preciso atentar, ainda, para o fato de que não se
extingue um papel desnecessário, usando-se outro papel decretando
sua morte. Os papéis simplesmente desaparecem sem deixar
aviso. Por último, um aviso aos mais burocratas: se querem
começar vida nova, releiam os papéis que cotidianamente
assinam e tentem, devagar, jogar algumas palavras na cesta, enxugando
as mensagens.
OS CUIDADOS NO PROGRAMA DE INOVAÇÕES
Atenção, pessoal, inovação tem limite!
O aviso vem a propósito das inúmeras inovações,
criações tresloucadas, renovações e
mudanças realizadas, freqüentemente, no ambiente de
trabalho. Essa situação acontece obedecendo mais ou
menos ao seguinte roteiro: uma pessoa ou um grupo tem uma idéia,
discute-a com companheiros de trabalho, recebe um incentivo e aprovação,
toma coragem e encaminha a sugestão para frente. São
mudanças nos fluxos de trabalho, reorganização
de cronogramas, supressão de tarefas, adição
de serviços, abrangência de pessoas envolvidas em um
programa, roteiro para corrida dos papéis etc.
A febre de renovação (aliás, bastante saudável)
que toma conta de muitas empresas não pode desequilibrar
o sistema organizacional, a ponto de gerar conflitos e situações
insustentáveis. Ocorre que muita gente, desejosa de adquirir
status e aparecer no cenário interno, fica com as antenas
permanentemente ligadas à cata de definições
que possam melhorar o clima e aumentar a produtividade. As empresas
abertas promovem esse tipo de cultura. O objetivo é louvável.
O perigo está nos exageros que se cometem. As mudanças
organizacionais não podem sair da cabeça de uma pessoa.
Devem ser planejadas por equipes profissionais.
Para que o processo de inovação e mudanças
flua, de maneira natural e concernente com a cultura organizacional,
será necessário analisar um conjunto de elementos
e posições, a saber:
a) preparação sócio-psicológica da comunidade
interna - O processo de mudança não sofrerá
grandes ruídos, quando a comunidade estiver psicologicamente
preparada para enfrentar as alterações. Esse preparo
é tarefa a ser cumprida com bastante antecedência,
por meio de um detalhado e bem checado programa de comunicação.
b) natureza da mudança e inovação - As transformações
assumem uma gradação qualitativa, havendo aquelas
de alta prioridade e importância, pela magnitude, e outras,
simples, que não afetam profundamente a vida comunitária.
O grau de transformação ditará o cronograma
para a implementação da mudança. Não
se aconselha queimar etapas.
c) preparação dos agentes da mudança - Em todo
o processo de mudanças, deve existir uma equipe bem preparada
para cuidar de todas as fases, detalhes e operações.
O sucesso de um programa freqüentemente depende da qualificação
e treinamento da equipe. Um grupo pequeno é mais desejável
que um amontoado de pessoas.
d) definições conceituais, técnicas e operacionais
- As mudanças, para alcançar a mente dos participantes,
precisam estar convenientemente apresentadas, em termos de conceitos,
significações, importância, resultados que se
pretende atingir. Quando se trata de reorientação
de natureza técnica ou operacional, o desafio é bem
maior, pela complexidade de linguagem. A transparência precisa
marcar todas as etapas do programa.
e) cronograma de ações - A credibilidade é
fundamental para que os ruídos sejam atenuados. Consegue-se
credibilidade, quando, ao lado da transparência, oferece-se
cronograma adequado. O cumprimento das datas certamente amplia a
dose de confiança das pessoas.
f) simplificação e racionalidade - Aconselha-se cercar
o programa com um toque de simplicidade e racionalidade. Em algumas
propostas, o exagerado detalhamento chega a complicar, e todos os
agentes responsáveis pela implementação acabam
por se atropelar, confundindo-se com a carga informativa do planejamento.
g) controle freqüente dos climas - O acompanhamento dos climas
internos, principalmente junto aos setores que serão mais
diretamente afetados, fornecerá inputs para redirecionamento
e aperfeiçoamento da programação
h) priorização das mudanças - Há situações
em que se exige uma priorização de mudanças,
pela impossibilidade de se implantar o conjunto. Mas nem por isso
as situações que podem ser consideradas de menor importância
devem ser relegadas e abandonadas. Há casos em que pequenos
detalhes, esquecidos, jogam por terra todo um esforço.
A improvisação no campo da mudança organizacional
é um verdadeiro suicídio. É por isso que os
grupos participativos, com suas idéias geniais (algumas são
baboseiras), precisam tomar cuidado. Não adianta criar o
programa, sem pensar em como implementá-lo. A fase de implantação
recebe, infelizmente, pouca atenção.
CONVIVER COM AS GREVES
O grau de convivência com os movimentos grevistas e os paredões
que eclodirão no compasso da dinâmica social e da maior
liberdade sindical, previstas para os anos que precedem o início
do terceiro milênio, será o principal termômetro
para medição da eficácia das políticas
empresariais no campo das relações trabalhistas. As
áreas mais sensíveis às pressões trabalhistas
certamente poderão contar com a simpatia de imensos contingentes
sociais, formando, assim, climas favoráveis para o melhor
desenvolvimento dos negócios.
É evidente que a ruptura de processos autoritários,
responsáveis por intervenções em sindicatos
e políticas altamente restritivas no campo das negociações
coletivas, conduzirá o País a um novo modelo de relacionamento
entre o empresariado e os trabalhadores. Caminhar-se-á, inequivocamente,
para uma prática de relações francas, ásperas,
às vezes, porém, inspiradas por maior confiança
nos acordos e melhor disposição para ajustes. A sociedade
será o juiz maior dos possíveis conflitos e o Governo
necessitará de grande habilidade para não se desgastar
perante os dois pólos das questões.
O aumento real de salário, o direito de greve, a redução
da jornada de trabalho, a garantia de emprego, acordos coletivos
condizentes com as realidades das categorias, implantação
de comissões de fábricas constituem, entre outros,
os eixos das discussões e a plataforma já estabelecida
pelos movimentos trabalhistas.
O quadro que se apresenta para o empresariado, além das reivindicações
objetivas dos programas trabalhistas, é enriquecido pela
pressão da classe média, pela força catalizadora
dos grandes meios de comunicação, pelo empenho dos
grupos de pressão que se multiplicam intensamente, pela agressividade
de partidos que realizarão campanhas públicas para
seu reconhecimento e por focos de tensão e eletricidade que
despontam na periferia dos grandes programa de relações
trabalhistas.
Cordialidade, franqueza, determinação para se negociar
propostas adequadas e de acordo com padrões das categorias
econômicas, aceitar a greve como um fenômeno normal
e incorporado à dinâmica empresarial do sistema capitalista,
procurar compreender o trabalhador à luz de seus direitos
e necessidades e não considerá-lo inimigo que precisa
ser combatido, constituem premissas de um programa sadio de relacionamento.
O importante, no espectro de situações a serem enfrentadas,
é procurar administrar os conflitos dentro de uma prática
democrática, que objetive salvaguardar os interesses dos
cidadãos, respeitando-se os valores do sistema empresarial.
Essa visão poderá oferecer ao País um novo
modelo de negociações coletivas, diferente das práticas
antigas, onde imperavam a desconfiança, as intervenções
autoritárias e o desrespeito.
Ao lado das conversações, procurar-se-á aperfeiçoar
a legislação no campo das relações de
trabalho, incorporando-se conquistas e posições das
classes trabalhadoras das modernas economias capitalistas. Inclinações
nesse sentido não apenas permitirão que os trabalhadores
posicionem-se melhor em suas campanhas, mas darão mais credibilidade
ao sistema empresarial, tornando o empresariado mais respeitável
e confiável.
Torna-se claro que o bom desfecho para os conflitos estará
dependendo da condução da ordem econômica do
País e de sua capacidade em administrar os apertos provocados
pela dívida externa. Nesse sentido, haverá necessidade
de um tipo de negociação que leve em conta as questões
maiores da Nação, sob pena das reivindicações
trabalhistas se transformarem em fator de desestabilização,
o que seria perigoso para a normalidade democrática.
Altas responsabilidades estão, assim, destinadas aos empresários
e aos trabalhadores nos novos tempos que se iniciam. Da habilidade
de ambos na condução do processo das negociações
e das medidas justas que se derem aos pontos de vista das partes
dependerá o equilíbrio do sistema político-econômico
do País.
A RETENÇÃO DE INFORMAÇÕES
Num jogo de futebol, os jogadores do meio de campo exercem decisiva
missão para o sucesso do time. Recebendo a bola dos companheiros
de retaguarda, armam as jogadas, controlam as posições
do ataque e, com alguma habilidade, vão construindo as táticas
e passes que permitem à linha da frente arrematar os finais
com a eficácia do gol. Na empresa, os jogadores do meio de
campo executam função semelhante. De sua eficiente
conduta, dependem as jogadas que permitem aos grupos dianteiros
executar com sucesso as tarefas. Refiro-me à atuação
das chefias intermediárias, consideradas em todas as organizações
peças-chave da árdua batalha da produtividade.
Análises de relatórios de pesquisas de clima organizacional
têm, invariavelmente, apontado para o desempenho das chefias
intermediárias como um dos grandes gargalos da administração.
A questão, expressa de forma bem simples e genérica,
consiste, fundamentalmente, na retenção de informações,
pelos níveis médios. Recebendo informações
e dados dos superiores e dos escalões mais altos, os chefes
de nível médio deveriam repassá-las para os
subordinados, dando vazão e fluidez ao processo operacional
e decisório. Tal comportamento nem sempre ocorre de maneira
desejável, fazendo emergir problemas com algum teor de gravidade.
Esbarrando no meio de campo, sem possibilidades de correr até
o fim da linha, a bola parada dificulta o andamento do jogo, impedindo
a participação do conjunto e dificultando, enormemente,
a vitória do time. É isso o que acontece. Os contingentes
localizados nos degraus inicias da empresa - supervisores, por exemplo
- estão sempre a se queixar de que não contam com
suficientes informações e orientação
para dar ordens claras e corretas aos peões, o grupo que
trabalha "com a mão na massa". Os resultados florescem
em forma de sistemas e processos confusos, decisões vagarosas,
duplicação de tarefas, estocadas recíprocas
entre áreas e setores, ausência de transparência
normativa, perdas de energia e diminuição da produtividade.
Essa constatação tem permitido aos analistas se debruçarem
exaustivamente sobre as causas detonadoras do fenômeno da
retenção de informações. A pergunta
central é esta: por que as chefias intermediárias
costumam segurar a bola, criando obstáculos e evitando passá-la
para adiante? Entre as respostas, algumas merecem análise
mais cuidadosa.
Reter informações faz parte do disputado jogo do poder.
Quem possui muitas informações, via de regra, consegue
ocupar razoável espaço organizacional. Dependendo
da qualidade do fluxo informativo e do tipo de fonte, o espaço
é maior e inexpugnável, impedindo eventuais fustigações
e, até mesmo, a investida curiosa de companheiros do mesmo
setor.
O fenômeno de guardar informações explica-se,
dessa forma, como tática na escalada do poder organizacional.
Há algumas informações não operacionais
- como medidas estratégicas, políticas e diretrizes
gerais - que conferem status a quem as detém. Os possuidores
daquelas informações sentem-se, psicologicamente,
envaidecidos e prestigiados. O repasse só ocorre quando a
medida serve para fortalecer seu poder ou quando percebem que a
informação transmitida contribuirá, taticamente,
para exibir aos outros a intimidade que mantêm com os escalões
decisórios. Isso dá prestígio.
Sucede que, freqüentemente, o fluxo de informações
descendente - dos níveis mais altos para a base - assume
uma feição operacional, para uso imediato, devendo,
por essa razão, ser repassado. Como o uso do cachimbo faz
a boca torta, o costume de preservar mensagens finda por colocar
na mesma cachola informações estratégicas,
normativas, técnicas, operacionais. Entopem-se, assim, os
canais da administração, paralisando a dinâmica
produtiva ou atrapalhando sua normalidade.
Além desta causa, identifica-se outra, também relacionada
ao poder. Trata-se da competição grupal, entre áreas
e setores. A competição entre departamentos acaba
por "prender" o processo informativo, privando muitos
segmentos de informações básicas para a eficácia
de tarefas rotineiras. Há, ainda, razões de natureza
diferenciada, como a distância física entre outras
áreas afins, que dificulta o percurso da informação,
o estilo centralizador do chefe (que não pode estar ligado
à questão do poder) ou mesmo desleixo e esquecimento.
O enfrentamento desse problema pode ser feito por meio de um conjunto
de ações, que passam, inicialmente, pela correta identificação
das origens (locais e fontes), cursos de treinamento, reuniões
integrativas até redefinição de políticas
e normas técnicas, organizando-se, de modo transparente,
o fluxo informativo. Casos mais drásticos recebem tratamento
de choque à base de movimentação horizontal,
com o deslocamento e trocas de chefias.
Como no futebol, a bola tem de correr. Com uma única diferença.
No futebol, o time que está ganhando, costuma, perto do final,
fazer cera. O goleiro prende a bola, o meio de campo faz firulas,
o jogo fica meio parado. Na empresa, "prender" o jogo
é bastante arriscado. O dono da bola não costuma tirar
a bola do campo, não. Costuma tirar os jogadores, quando
o time faz cera.
O PODER DO BOATO
Nos últimos tempos, os analgésicos não têm
conseguido aliviar um tipo de dor de cabeça que vem assolando
amplos contingentes do universo empresarial. Trata-se de um distúrbio
que deixa muitas pessoas insones, tontas, algumas vezes superexcitadas,
confusas e freqüentemente, irritadas. Principalmente os chefes
e executivos das áreas de Recursos Humanos e Comunicação.
E a causa de tanta aflição é um fenômeno
muito popular, tão antigo quanto o homem, porém, temido
por seu terrível efeito devastador.
Estou falando do boato, esse mecanismo capaz de arregimentar massas
e multidões e de provocar imensos conflitos nas relações
entre o capital e o trabalho. Rádio-peão, rumor, informação
inverídica, disse-me-disse, rádio-mexerico, ou, simplesmente,
fofoca, o boato, em qualquer uma de suas modalidades e designações,
integra a imensa rede da comunicação informal das
organizações e se constitui num contraponto psicológico
à chamada rede formal, composta pelo discurso normativo e
oficial das empresas. O boato vem, de alguma forma, compensar as
falhas existentes na comunicação formal, integrar
diversos segmentos internos num lado psicológico de identificação
de posições e valores, equilibrando, assim, as tensões
e angústias.
Como válvula de escape às expectativas geradas pelas
organizações, o boato se assemelha ao vapor da panela
de pressão, que escapa para deixar os condimentos e materiais
processados num ponto de cozimento. É evidente que, em alguns
momentos, essa pressão, de tão forte, chega a ameaçar
o espaço social por onde se espraia, necessitando alguma
forma de controle e comedido equilíbrio. Para tanto, é
importante entender, de início, seu processo e desenvolvimento.
O boato varia na razão direta da importância e ambigüidade
de um determinado assunto. Por aqui, percebe-se que temas como salários,
demissões, mudanças, promoções, transferências,
implantação de novos sistemas e questões de
insalubridade, entre outros, constituem o prato predileto da rede
informal, principalmente em momentos de tensão, crise e dúvidas,
como os que temos atravessado. Entendendo que as manifestações
informais e espontâneas do homem fazem parte daquilo que a
psicologia chama de mecanismos inatos de conservação
da espécie - impulsos combativo e nutritivo, relacionados
à necessidade de enfrentar situações adversas
e de defesa orgânica - será, possível estabelecer
maneiras para acabar com o boato. em primeiro lugar, é preciso
aceitá-lo como algo natural, não necessariamente direcionado
para posições negativas.
Seu enfrentamento passa, portanto, pela compreensão de que,
bem administrado, o boato pode ser uma rede de comunicação
eficaz para a passagem de mensagens que interessem às empresas.
Sabendo que ele existe e é extremamente ágil, pode-se
usá-lo para deflagrar um programa de comunicação
de reforço, isto é, em apoio às comunicações
oficiais. Para isso, é interessante observar como o boato
nasce e corre.
Chama-se rede sociológica de grupinhos e estrutura que faz
irradiar o boato. Uma pessoa encontra-se com três colegas
e dá sua versão sobre algo que ouviu. Nessa versão,
ocorrem alguns fenômenos. A pessoa reduz o tema a situações
bem simples, nivelando as informações, tirando aspectos
complexos e limpando ângulos técnicos. De acordo com
seus interesses e expectativas, adiciona à informação
original uma outra informação e interpretação.
Quando lhe convém, ao invés de acrescentar informações,
a pessoa suprime dados e parcelas do conteúdo, passando adiante
apenas a versão mais conveniente para o preenchimento das
expectativas individuais e grupais. Das três pessoas que ouviram
aquela versão, uma ou duas encontram-se com outros grupinhos
e repete-se a situação, multiplicando-se indefinidamente
o boato que, em espaço de poucas horas, como um rastilho
de pólvora, atinge quase todo o espaço da comunidade.
A identificação dos líderes informais nas empresas
é uma medida estratégica para um programa de enfrentamento
ao boato. Pesquisas sobre comportamento demonstram que pessoas em
alguns ambientes tendem a dar mais ouvidos e credibilidade aos líderes
informais que às comunicações que recebem por
meio de veículos impressos ou eletrônicos, descoberta
que deu origem à chamada teoria do fluxo em duas etapas na
comunicação.
Por essa teoria, a comunicação chega, num primeiro
momento, ao líder de opinião e este, com sua versão
e interpretação, passará a mensagem para os
outros, numa segunda etapa. Está demonstrado que as pessoas
confiarão muito mais na versão e interpretação
do líder, que, por envolvimento psicológico com o
grupo, pelo contato rotineiro e amizade, exerce muita confiança
junto a seus admiradores, assegurando, assim, alta credibilidade
a suas opiniões. Mas não se deve esquecer que o boato
é, freqüentemente, produto de um sistema de comunicação
mal ajustado, incoerente, pouco transparente, confuso. Nesse caso,
as providências de saneamento e planejamento devem levar em
consideração os tipos de canais de comunicação
existentes na empresa, a linguagem, os conteúdos, a freqüência
com que a comunicação chega à comunidade, os
reforços para apoio e compreensão das mensagens, a
origem das informações, entre outros aspectos.
Se a mensagem a ser transmitida for muito importante e se for necessário
reduzir a zero o índice de ruídos e distorções,
alguns testes podem ser feitos. Por exemplo: a reunião, numa
sala, de um grupo de 12 pessoas, de níveis e posições
diferentes. Em outras duas salas, deverão estar acomodados
dois grupos de doze pessoas. Para o primeiro grupo, faz-se uma exposição
do assunto que se pretende divulgar. Pode-se utilizar, nessa explanação,
apenas o recurso oral. A seguir, solicita-se que cada pessoa do
primeiro grupo se encarregue de passar a mensagem para uma outra
do segundo grupo, numa comunicação interpessoal. O
terceiro momento será utilizado para o segundo grupo, da
mesma forma, transportar a mensagem original para o terceiro grupo
na outra sala. Ao final do processo, pede-se que as pessoas do terceiro
grupo escrevam a mensagem recebida. Verifica-se o nível de
distorções, observam-se ênfases e pontos destacados
e, a partir dessa análise, refaz-se o programa, com ajuda
de outras formas de comunicações, além de exposição
oral (desenhos, flip-charts, transparências, repetições
etc.). O programa será reordenado e certamente, numa segunda
experiência, os resultados serão melhores.
Os ajustes de comunicação diminuirão os boatos.
E a utilização da rede de comunicação
informal dará mais agilidade às mensagens principalmente
quando se conhece a extensão dos grupos e se identificam
as zonas de alta sensibilidade na empresa. O boato, bem administrado,
não faz mal. Faz mal querer combatê-lo, sem compreensão
de sua natureza. Como se fosse possível matar uma característica
inata dos grupos.
O PODER DOS FEUDOS
As pesquisas sobre clima organizacional têm apontado para
os efeitos destruidores provocados por um dos mais interessantes
e complexos fenômenos da administração moderna:
os feudos, "panelinhas" e redutos que se criam nas empresas,
ao arrepio da estrutura formal, criados para sustentação
do poder de grupos. Meios socialmente arquitetados para amortecer
os efeitos da ansiedade, mecanismos de defesa de interesses contrariados
pela estrutura ou, simplesmente, formas ostensivas de exibição
de status, os feudos abalam profundamente o sistema hierárquico
e causam danos, muitas vezes irreparáveis, aos objetivos
da produtividade.
Essas maneiras de agrupamentos não-formais geralmente aparecem
e se desenvolvem em empresas que não procuram balancear seu
modelo de gestão, acostumando-se com métodos ortodoxos
e deixando florescer e se enraizar uma mentalidade pouco propícia
a mudanças. Ou em organizações que apresentam
alguns quadros muito antigos que, por contarem muitos anos de casa,
se consideram com direito adquirido de se fecharem em posições
compartimentalizadas.
Os feudos constituem um território isolado no espaço
organizacional e um formidável espaço de poder. À
medida das antigas possessões, possuem uma espécie
de mandatário, o dono do castelo, que tanto pode ser o líder
hierárquico do grupo como o empregado mais antigo, escalado
pela tradição para assumir os destinos e os rumos
dos comandados. Mais que um compartimento estanque, os feudos assumem
a feição de um movimento, com regime próprio,
sistema original de defesa de valores grupais, vínculos de
amizade e solidariedade.
Apesar de se submeterem às normas e procedimentos gerais
da empresa, os membros sediados num reduto se regulam muito mais
por um sentimento separatista, que os torna psicologicamente unidos
em torno das causas comuns. Entre elas, uma taxa de rebeldia contra
os estatutos empresariais, a sensação de não
estarem sendo contemplados de maneira justa pela organização
e a inclinação para se acharem qualitativamente superiores
a outros.
As frustrações num "castelo feudal" atingem,
freqüentemente, índices alarmantes, fato facilmente
explicável quando está em jogo a questão da
rejeição. Daí para o caos, o caminho é
muito curto. Um grupo frustrado, pelo processo de metástase,
procura extravasar seus sentimentos, irradiando insatisfações
por todos os lados e banhando o espaço da comunidade interna
com uma onda de negativismo e contrariedade. Devastada por esse
"vírus", a comunidade tende a reagir, fazendo ressurgir
novo processo de multiplicação de ondas negativas
que, como círculos concêntricos, se espalham ameaçadoramente
ocupando espaços vazios. De repente, percebe-se que toda
a empresa está tomada pelo negativismo.
Ao ocorrer uma situação como essa, a empresa deve
deflagrar um feixe de providências saneadoras. Detectando-se
setores mais problemáticos, será possível estabelecer-se
um programa que vise, fundamentalmente, a alterar algumas posições,
transferindo-se pessoas, obedecendo-se a um plano de job rotation,
que considere as necessidades apontadas pelo sistema de avaliação
de desempenho e potencial. Não há coisa pior para
uma empresa que respirar um clima poluído e desgastado. Daí
a importância da movimentação de pessoal horizontal
e vertical, necessária para dosar os ambientes, equilibrar
os grupos, injetar sangue novo em funções e atividades.
As mudanças de lugar precisam se apoiar, por sua vez, num
conseqüente e avançado programa de comunicação.
Será o esforço de comunicação, em último
caso, a matriz responsável pela tranqüilidade com que
se processarão as mudanças internas, na medida em
que, pela explicação e convencimento, ajustará
os interesses, aliviando as tensões e acalmando os espíritos.
Ao programa de comunicação, sucedem-se tentativas
de aperfeiçoamento em outros programas, como os planos de
benefícios e assistência, promoção funcional
e desenvolvimento profissional. Como se percebe, a mudança
de posição, por si mesma, não chega a consubstanciar
a solução para o problema gerado pelos feudos e panelinhas.
Em alguns casos, a versão direta com líderes informais,
lotados nos grupos fechados, melhora a situação, principalmente
quando as questões são apresentadas de maneira objetiva
e recebem um tratamento também objetivo por parte da empresa.
O importante, na análise mais profunda dessa questão,
é perceber que a função interativa da comunidade
interna deixa de existir quando ameaçada por sentimentos
de frustração dos feudos. Imbuídos de sentimentos
negativistas, tomados pelo espírito de contrariedade, os
membros daqueles grupamentos passam a não produzir, assumem
uma atitude imobilista e, de maneira quase inconsciente, impregnam
os ambientes de uma incomensurável sensação
de ócio e vazio.
Como um dos mais desafiantes problemas da administração
moderna, os feudos empresariais estão a carecer de uma análise
mais acurada e científica dos administradores, que, por complacência
e mesmo desconhecimento, deixam as coisas acontecerem. Quando tomam
atitudes, indicam remédios paliativos que curam o mal, por
momentos, mas não extirpam a raiz. Uma boa política
de prevenção contra os feudos reside no acompanhamento
constante e permanente dos climas internos, verificando-se as expectativas,
ansiedades e tensões. No início do problema, a solução
fica mais fácil de ser tomada. Depois, tudo será mais
difícil. Principalmente, quando a empresa, em sua totalidade,
vira um amontoado de pequenos e grandes compartimentos.
O PODER DO LÍDER INFORMAL
Não há mais por que duvidar: o líder informal
exerce um extraordinário poder nas organizações.
Poder de influenciar, de barganhar, de ameaçar, de argumentar,
de mobilizar, de comunicar, poder para fazer sua opinião
prevalecer sobre a dos outros. Dos conceitos que estão por
trás dos verbos do período anterior, extrai-se a importância
do estudo e acompanhamento do líder informal numa organização.
Quem é, afinal, esse líder informal?
Como o nome indica, o líder informal não é
o tipo investido de um cargo e nem exerce liderança normativa
e legal. Ele não possui cargos importantes, é uma
pessoa comum, com extraordinário brilho pessoal, fruto de
traços de inteligência, de comportamento ético,
de domínio técnico a respeito de temas específicos
e de ótimo relacionamento interpessoal. O líder informal
se impõe com naturalidade e conquista o respeito e admiração
dos companheiros pelo simples fato de ser uma pessoa completamente
natural e autêntica. Autenticidade. Eis aqui uma palavra-chave
para exprimir a essência do líder informal. Colocá-lo
dentro da prisão dos rótulos e conceitos fechados
é um exercício de temeridade e muito risco. Pois o
líder informal foge a qualquer rótulo.
Esse tipo de líder não se encaixa, por exemplo, na
famosa classificação de Max Weber e sua tipologia
de liderança pura: o tipo tradicional, cujos traços
fundamentais apontam para a herança patriarcal e patrimonial
e que denotam um líder histórico e conservador. Nem
é também o líder carismático, aquele
que possui traços místicos e quase sobrenaturais,
tipo que cultua o personalismo, o egocentrismo e arbitrariedade.
Muito menos o líder informal pode ser comparado com o líder
legal, aquele que aufere o poder, pela carga burocrática
do exercício do cargo e que se impõe, de maneira fria,
racional e essencialmente técnica. Pode o líder informal,
com bastante evidência em alguns casos reunir traços
carismáticos, um feixe de situações e qualidades
que lhe conferem imenso poder de atração. Em torno
dele, as pessoas reúnem-se, quase sem perceberem. Sua energia
irradia-se por todo o grupo. Ele ouve, lê, prospecta, analisa
e, em último caso, dá a palavra final sobre determinada
questão. Há uma maior probabilidade de consenso que
de divergência em torno da palavra final do líder informal.
Sua natureza não se alimenta de fatores exclusivamente biológicos,
genéticos. O líder informal, como pessoa flexível,
incorpora os idéias da coletividade, cristalizando sentimentos,
canalizando aspirações e interesses grupais. Sua vertente
sociológica é, portanto, bastante acentuada, ao contrário
do que muita gente pode imaginar. Na verdade, ele aprende muito
com os grupos.
A capacidade transformativa do líder informal garante-lhe
permanência temporal no espaço das organizações.
Interpretando com razoável correção e senso
de oportunidade as prioridades temáticas do meio ambiente,
analisando, de maneira competente, as dimensões dos problemas
econômicos, políticos, empresariais, trabalhistas ou
questões rotineiras do grupo, o líder informal faz
convergir, em torno de si, os principais campos de força
do ambiente onde trabalha. Centralizando os pontos de referência
social, ele torna-se o maestro dos tons e contra-tons da comunidade.
Suas qualidades de comunicação são apreciáveis.
Pois além de expressões adequadas no relacionamento
grupal, possui reconhecida capacidade para ouvir e silenciar, bons
conhecimentos a respeito dos códigos da empresa, fácil
locomoção pelos setores, simplicidade no agir e modéstia
na apresentação. Quando veste a camisa da empresa,
é muito provável que haja todo um time a seu redor
com a mesma camisa. Quando não compra a idéia, a situação
fica perigosa. É preciso, nesse instante, ouvi-lo, auscultá-lo,
porque o líder informal não é, mesmo que tenha
uma opinião conflitante com a da organização,
um inimigo.
Dentro do processo global de comunicação, o líder
informal é considerado peça-chave. A comunicação
que corre até o último nível é, quase
fatalmente, a mensagem interpretada pelo líder informal.
Daí o meu conselho. Se você, profissional de RH, teme
aproximar-se dos líderes informais de sua empresa, pelo tradicional
medo de enfrentar uma liderança que muitos consideram ameaçadora,
não hesite. Marque uma conversa, pois o líder informal
é também uma pessoa educada. (Há exceções,
é claro.) A liderança informal não pode ficar
ao relento, à margem do processo administrativo. Não
se trata de querer transformá-lo em líder formal.
Trata-se, sobretudo, da necessidade de ouvi-lo e respeitá-lo.
A AVALIAÇÃO DA COMUNICAÇÃO
Os resultados de um amplo programa de comunicação
empresarial podem ser medidos de diversas maneiras. É claro
que o empresariado raciocina, em primeiro lugar, em termos de relação
custo/benefício. Dir-se-ia até que a atração
dos administradores pela relação custo/benefício
tem ofuscado sua real dimensão e não temeríamos
em arriscar a dizer que as contas efetuadas para se estabelecer
os resultados da equação padecem de um grave vício.
Não um vício de intenção, mas um vício
de omissão.
Explica-se: os analistas e contabilistas das organizações
apuram, para efeito de demonstração, os resultados
entre inputs e outputs, isto é, matéria-prima, seu
processamento e manipulação, e as vendas, subtraindo-se
das receitas as despesas, para alcançarem os resultados em
lucros. Portanto, a equação clássica lida fundamentalmente
com resultados financeiros. Ocorre que a administração
financeira não conseguiu, ainda, passar para seus componentes
financeiros, passíveis de contabilização, variáveis
extremamente subjetivas como clima organizacional, empatia, integração
de objetivos, espírito de corpo, identidade corporativa ou
o suporte de tudo isto, o poder expressivo das organizações.
Em suma, a questão de comunicação nas organizações
é tratada como despesa, não como investimento.
O vício de omissão, é evidente, parece justificado
pela ignorância, calcada nos enfoques e estudos tradicionais
dos cursos de Administração, Economia e Engenharia,
principalmente. Felizmente, observamos a preocupação
de setores e escolas avançadas em incorporarem a componente
comunicação como variável importante e tecnicamente
viável para medição de resultados positivos
nas empresas. Referimo-nos às possibilidades de se medir
o efeito do poder expressivo das organizações utilitárias,
não apenas sob a ótica das vendas pela publicidade
na televisão, mas pelas avaliações quantitativas
que se podem estabelecer dos comportamentos dos empregados. Basta
lembrar, a propósito, as baterias de testes direcionadas
a apurar comportamentos, depois de campanhas de comunicação
internas para melhorar a produtividade; as campanhas que visam a
medir o grau de memorização das empresas junto a determinados
segmentos da opinião pública e que avaliam o grau
de conhecimento, compreensão, aceitação e valores
que determinado grupo empresarial consegue obter. Portanto, pode-se
objetivamente medir resultados de comunicação.
O bom conceito de uma organização flui diretamente
sobre a posição das vendas. Há, evidentemente,
muitos casos em que se pode quantificar efeitos do programa de comunicação.
Resta, apenas, fazer chegar esses métodos ao poder decisório
das organizações, para seu convencimento e aceitação.
O nosso claro posicionamento é a favor da colocação
dos gastos com comunicação no campo dos investimentos
e não no das despesas. Poder-se-ia apontar, também,
a extrema importância da comunicação para assegurar
a eficácia das políticas de recursos humanos na organização,
a começar pelas atividades de seleção de pessoal
até o treinamento e o desenvolvimento organizacional.
Os programas de Recursos Humanos utilizam o ferramental de comunicação
de maneira muito ortodoxa, restringindo-se a alguns conselhos sobre
modos de comportamento de habilidades comunicativas, jamais se preocupando
com o estudo das redes, dos laços, dos fluxos e dos níveis
da comunicação. Identificamos, aqui, os mesmos problemas.
A omissão por ignorância. Os especialistas de Recursos
Humanos, na maior parte dos casos, têm uma visão distorcida,
quase paroquial, dos resultados que a comunicação
organizacional pode atingir.
Apontamos, também, a importância da comunicação
para o planejamento estratégico das organizações.
Entendemos que o sistema de comunicação dá
vigor e consistência às grandes estratégias
de planejamento, necessárias para a sobrevivência,
expansão e diversificação empresariais. O planejamento
em comunicação deve, pois, se atrelar ao planejamento
estratégico. Outros resultados podem ser conseguidos na cultura
interna. Pela comunicação, os corpos diretivos passam
a ter uma identidade pública, um perfil técnico, um
conceito profissional no mercado, situações que vêm
contribuir para a viabilização do conceito e identidade
da organização.
A VERDADE NA POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO
Pode-se falar das coisas erradas de uma empresa nas publicações
internas? Pode-se fazer crítica a métodos, processos
e formas de atuação de setores ou pessoas? É
evidente que não, responde a quase totalidade das pessoas
responsáveis pelos programas de comunicação.
A empresa, argumentam elas, patrocina uma linguagem de integração,
solidariedade, unidade. Ela não vai permitir que aspectos
negativos obscureçam o esforço que os comunicadores
fazem para tornar o ambiente empresarial um "céu de
felicidade e paz".
Pois há quem discorde dessa posição e sou um
deles. Sei que é temerário para uma publicação
interna exercer a crítica. E reconhecemos muito bem a cultura
empresarial brasileira, arraigadamente banhada por preconceitos
e posições que jamais poderiam aceitar o discurso
crítico. As pessoas temem perder seu lugar, quando aspectos
negativos do trabalho são mostrados. Outras querem mostrar
os patrões que as coisas andam maravilhosas e a empresa é
uma ilha cercada de paz por todos os lados. Estamos diante da velha
cultura fisiológica brasileira, alimentada por puxa-sacos
e muita gente despreparada.
Vou tentar argumentar em favor do discurso crítico. Começo
lembrando que a crítica é necessária para o
equilíbrio ambiental. Se todas as pessoas de um setor tivessem
a mesma opinião, se tudo fosse exatamente igual, possivelmente
as coisas não seriam bem dosadas. Pois do confronto de posições
nasce a luz. Do diálogo aberto e nem sempre cordial podem
surgir idéias criativas. Da espontaneidade criativa das pessoas
brotam soluções. Quando o medo dirige a conversa,
o artificialismo aparece como ingrediente. Aceita a crítica
como elemento integrante da procura da eficácia, podemos
partir para o segundo plano de análise. Trata-se do plano
das mudanças sócio-políticas. O mundo está
mudando. As transformações tecnológicas ditam
novos comportamentos. Os valores profissionais e espirituais acompanham
as tendências contemporâneas. A sociedade humana está
abandonada, seus velhos clichês, a cultura paternalista, assistencialista,
cede lugar a uma cultura racional, lógica. Todos os aspectos
projetam-se sobre os cenários ambientais das organizações.
Em conseqüência, a mentira não tem condições
de ser perpetuada. O grande jogo nas relações de trabalho
requer que a trapaça seja, de uma vez por todas, abolida.
As cartas devem ser mostradas. A eficácia de um sistema de
trabalho é o resultado de elaborações corretas
e adequadas de soluções e respostas que não
comportam desvios. Os desvios organizacionais consistem nas freqüentes
tentativas de dourar a pílula, amaciar o ego, de acalentar
as mentes, agradar os olhos e suavizar os ouvidos.
Basta de mentira. Basta de enganação. Nas relações
entre o capital e o trabalho existem, é claro, conflitos.
Mas os conflitos podem ser resolvidos pelo diálogo. Trabalhadores
e patrões devem entender que estão no mesmo barco.
Todos dependem dos resultados da empresa. Resultados frágeis
proporcionam salários frágeis, desemprego, ameaças,
insegurança. Empresas fortes e saudáveis asseguram
tranqüilidade e melhores salários. A verdade, nos novos
tempos, é premissa para o equilíbrio.
Os japoneses encontraram seu tom. Os trabalhadores japoneses engajam-se
ardorosamente em suas atividades. Pensam na empresa como se ela
fosse sua. esforçam-se, desdobram-se. Sabem eles que do progresso
de sua empresa dependerá seu futuro e o futuro de seus filhos.
Não abominam o sistema capitalista e lá o velho conflito
de classes não tem mais vez. É claro que não
se importam culturas. Mas ninguém há de duvidar da
imensa capacidade de construção de resultados quando
todos se reúnem em torno das mesmas metas. Para chegar a
esse ponto a verdade é indispensável.
Sou favorável, portanto, a uma abertura de portas. Que seja
uma janelinha. Mas não podemos ficar eternamente nos enganando
fazendo o jogo do empurra-empurra, do toma-la-da-cá. As empresas
necessitam da crítica para encontrar caminhos claros. A locução
deve ser aberta. Quando se tem boa intenção, não
se deve temer a crítica. Essa é arazão pela
qual as publicações internas poderiam retratar de
maneira mais fiel o que ocorre no ambiente interno.
A IDENTIDADE HOMOGÊNEA
A identidade das empresas é, freqüentemente, enfraquecida
pela dualidade entre os sistemas interno e externo de comunicação.
Ocorre que, quase sempre, não há correspondência
entre os sistemas. A linguagem da comunicação interna
não combina com as propostas estabelecidas para o sistema
externo. As conseqüências são graves. Se não
há correspondência entre a cultura de uma organização
e a identidade que ela quer projetar no mercado, cria-se uma dissonância,
que terá, como resultado, uma ruptura na imagem. Vamos tentar
explicar.
Geralmente, a angulação que as áreas de comunicação
querem dar à empresa assume conotações diferentes.
No plano interno, os ângulos são apoiados em valores
de humanidade, leveza, integração, participação.
Procura-se mostrar um tecido sistêmico, uno e indivisível.
As pessoas aparecem nas publicações internas dando
entrevistas, falando de seus setores, planos, interesses e relatos
de sua vida na empresa. As políticas de benefícios,
os cursos de treinamento, as práticas cotidianas são
exibidos dentro da moldura humanizada de uma organização
que tem como meta final o homem.
No plano externo, geralmente procura-se dourar a pílula com
tons de seriedade, segurança, fortaleza, inovação
tecnológica, porte empresarial, grandeza estatística,
expansão e tradição. Fotografa-se uma realidade
profundamente formal e normativa. Exibe-se a empresa com cores carregadas
de tons neutros. A descontração da cultura é,
geralmente, escondida. Chega-se ao ponto de muitos empregados sentirem-se
em empresas diferentes: uma, que eles conhecem, porque lá
trabalham e convivem; outra, a que vêem e percebem por meio
dos apelos externos na mídia e pelas mensagens propagandísticas.
Essa dissonância ocorre por diversos motivos. Primeiro, porque
os profissionais de comunicação que trabalham na área
de comunicação interna não são os mesmos
que trabalham na área externa. Com visões diferenciadas,
é normal que as coberturas de imagem, planos e ângulos
também o sejam. Segundo, porque, há, historicamente,
um erro de conceito. Trata-se da distorção de imaginar
que a empresa deve abrigar duas imagens: uma interna e outra externa.
Equivaleria ao erro de imaginar que a cozinha de uma casa não
tem nada a ver com a sala de estar. Ora, ambas as áreas pertencem
ao mesmo sistema. O mínimo de coerência arquitetônica
deve haver entre elas.
Essa falha deve ser imediatamente combatida. Entramos numa fase
de completa claridade e transparência. Os empregados estão,
cada vez mais, assumindo sua cidadania. E, como cidadãos,
passam a exigir situações coerentes e práticas
harmônicas. Se a empresa está em greve, por exemplo,
ela não aceita que, para efeito externo, pinte-se um quadro
de tranqüilidade, harmonia, bem-estar e muita paz. Quando isso
ocorre, estimula-se o descrédito. E não é raro
que pessoas que, antigamente, confiavam na empresa, deixem de fazê-lo.
Os sistemas de comunicação, portanto, devem interligar-se.
A interdependência precisa ocorrer no terreno das linguagens,
valores, conceitos, processos, pessoas. Isto é, a empresa
precisa encontrar uma linguagem média, intermediando as posições
interna e externa, a fim de trabalhar com ela em todos os planos.
As publicações externas, as campanhas, os projetos
de identidade externa não podem abandonar aspectos da cultura
interna. É muito louvável inserir em propostas externas
a linguagem ou aspectos de cultura interna. Essa particularidade
pode conferir diferencial à imagem de uma empresa.
Comunicadores internos e externos devem se unir. A hora não
é de racha, mas de atuação comum. Não
podemos perder tempo com briguinhas por mais espaço ou por
melhor status. Se a imagem de uma empresa, interna ou externamente,
corresponder à sua verdadeira identidade, todos estarão
de parabéns. O importante é a percepção
de que há lugar para todos que trabalham no sistema de comunicação.
E hoje, mais que ontem, a exigência básica é
a da qualidade de trabalho.
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