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1) Nesta última década, as
assessorias de comunicação tiveram um crescimento
muito grande em todo o país. A que você atribui isso?
Esse crescimento é conseqüência de alguns fatores.
Em primeiro lugar, a expansão dos negócios, principalmente
nos negócios das grandes companhias. Passamos a ver, nos
últimos tempos, incorporações, fusões,
enfim, um adensamento de organizações. E quanto mais
crescem os negócios, maiores são as organizações
e maior é a necessidade de comunicação. Crescem
a quantidade de assessores de comunicação internos
e externos. Então eu atribuo o primeiro fator ao crescimento
dos negócios. Em segundo lugar, eu atribuo a expansão
das assessorias de comunicação à abertura do
universo da locução. O que significa isso? Nós
percebemos que nas últimas décadas, especificamente
nos últimos vinte anos, os meios de comunicação
no Brasil abriam-se, fazendo com que o discurso autoritário
cedesse lugar ao discurso mais democrático. Com essa mudança
de discurso, os jornais passaram a denunciar escândalos e
corrupção não só das malhas da administração
pública como também nos negócios ilícitos
das empresas privadas. Portanto, esse monitoramento, vamos dizer
assim, das administrações pública e privada,
de uma certa forma obrigou as empresas a serem mais transparentes
para a sociedade. Ou seja, aquelas posturas low profile cederam
lugar às posturas high profile. Eu diria que o segundo fator
foi a abertura do discurso crítico por parte dos meios de
comunicação. O terceiro fator é o fenômeno
da globalização. Cada vez mais as empresas e os negócios
estão transnacionais. Os países não têm
mais fronteiras do ponto de vista político e econômico
e isto cria, de certa forma, a necessidade de uma teia de organização
global, uma malha de organização mais abrangente.
Ou seja, as empresas devem reagir rapidamente aos fenômenos
de mercado. Um exemplo: digamos que há uma seca numa região
na Ásia ou até no Brasil. Isso afeta a economia e
as empresas, por sua vez, têm que reagir rapidamente a esses
fenômenos do mercado, estabelecendo-se necessidade maior de
intercomunicação. Todos esses fatores têm contribuído
para a criação de estruturas de comunicação
mais profissionalizadas.
Por outro lado, eu diria também que o mercado de assessorias
se profissionalizou mais com a qualificação de profissionais,
muitos dos quais, egressos dos meios de comunicação
tradicionais - jornais, rádios, revistas e televisões.
2) A atual conjuntura impõe este serviço apenas
às médias e grandes empresas ou o porte da empresa
é indiferente e a necessidade atinge a todas?
É claro que as grandes empresas, com sua complexidade negocial,
com seu maior número de empregados e maior volume de negócios,
necessitam mais da comunicação organizacional. Do
ponto de vista interno, a comunicação é necessária
para ajustar o discurso, criar uma linguagem solidária, sistêmica,
harmônica e integrada com o objetivo de efetuar a aproximação
entre os objetivos da empresa e os objetivos de seus participantes.
Do ponto de vista externo, a necessidade está em tornar a
empresa mais conhecida no mercado, para atender aos consumidores.
Agora, as pequenas empresas também se interessam pela assessoria
de comunicação, pois elas precisam mostrar seus produtos,
suas possibilidades. Quem não se comunica não tem
condições de abrir nichos negociais. Cada tipo de
empresa, evidentemente, demanda um tipo de comunicação.
Eu diria que a comunicação nas pequenas empresas é
mais simples. O mercado é mais delimitado e a comunicação
das pequenas empresas pode contribuir para atrair consumidores.
É necessário enfatizarmos que hoje a necessidade de
comunicação é global. Dentro de uma sociedade
moderna, cada vez mais massificada, cheia de símbolos e ícones,
há uma progressão do consumidor para se confundir
na “barafunda” provocada pelos signos da comunicação.
Então, é preciso que as empresas criem diferenciais
de comunicação para poder gerar sinais mais visíveis
para o consumidor. Eu repito: aquelas empresas que adotam a postura
de “avestruz” não aparecem na sociedade, portanto,
tendem a fenecer e morrer.
3) A partir de que estágio de crescimento uma empresa passa
a ter necessidade desse serviço?
A partir do momento em que nasce. Quando uma empresa nasce, é
preciso dizer a que veio. Uma empresa é uma reunião
de capital, trabalho, fator tecnológico para gerar um produto,
que pode ser um bem de consumo de massa como um sorvete ou um bem
durável como um automóvel. Esses produtos devem chegar
ao consumidor e quem vai fazer chegar ao consumidor é o sistema
de comunicação, cuja finalidade é mostrar que
o produto existe. Seja num sistema de comunicação
simples, onde o produto é vendido de porta em porta, ou seja
num sistema de comunicação mais complexo, onde o produto
é colocado nas gôndolas dos supermercados. Este produto
só existe quando aparece nos cartazes publicitários,
out-doors, na tv etc. Na verdade, no momento em que uma empresa
passa a existir, tem de dizer que existe para poder atingir seu
consumidor.
4) Quais os setores que passaram a se preocupar mais com
sua imagem, a ponto de criarem sua própria assessoria de
comunicação ou buscarem este serviço através
da terceirização de empresas deste segmento?
As que apresentam maior necessidade de comunicação
são as companhias de grande porte, como por exemplo, as da
área automobilística ou da área das telecomunicações.
As grandes empresas, principalmente, as que trabalham com produtos
de massa, de bens de consumo duráveis e não duráveis,
essas têm maior necessidade de comunicação.
E as companhias de serviço também trabalham para atingir
uma ampla massificação. Por exemplo, você tem
o banco do grande cliente, o banco da pessoa física, o banco
da pessoa jurídica, o banco que se parece mais com um supermercado,
o banco que se parece mais com uma casa refinada. Cada banco precisa
criar sua identidade. Portanto, quando as companhias são
muito idênticas, trabalham com produtos congêneres,
é necessário planejar uma intensa comunicação
para tipificar produtos e serviços diferenciados.
5) Que tipo de desafio a comunicação representa
para as instituições públicas? Ela é
boa, ruim ou um mal necessário?
A comunicação é sempre um bem necessário.
Ocorre que na administração pública a mentalidade
é muita arcaica. Parcela significativa dos funcionários
públicos do Brasil pensa de maneira ortodoxa, considera suas
repartições um baú velho e seu trabalho uma
obrigação. Estão ali, mas adormecem mentalmente
e psicologicamente no serviço, como se fosse um serviço
automático; eles não se entusiasmam e não têm
criatividade. A comunicação, portanto, padece dessa
mazela que, é a doença da acomodação,
a paralisação do tecido da malha pública. As
instituições públicas são máquinas
burocráticas, muitas vezes inertes, paquidérmicas
e a comunicação sofre muito os efeitos dessa estrutura
obsoleta, que se parece com um baú velho. Mas o desafio da
comunicação na instituição pública
está em aproximar a administração pública
da sociedade. Acontece que a comunicação sozinha não
faz milagres. Se o serviço público é ruim,
a comunicação não vai fazer milagres, ela vai
simplesmente transmitir a identidade e a realidade de tais serviços.
6) Quais os caminhos percorridos pela informação
até os dias de hoje, deixando de ser uma prioridade dos jornais
para atingir as empresas?
A informação é vital para a vida das organizações;
sem informação, uma empresa não sobrevive.
Ela precisa consumir informações dos consumidores
e do mercado para poder se ajustar. Ao fabricar um carro, uma empresa
precisa saber qual é o gosto do consumidor, sua tendência,
quais as cores da moda, quais as cores mais atraentes, qual a mecânica
mais adequada a cada país. A altura de um carro no Brasil,
por exemplo, deve ser maior do que a altura de um carro na Europa
ou nos EUA, pois as estradas européias e americanas são
estradas perfeitas, enquanto as brasileiras são, na maioria
das vezes, esburacadas. Então, é preciso que um produto
se adeque à realidade. E essas cargas informativas relativas
ao consumidor precisam chegar à organização.
Por outro lado, as empresas precisam saber o que está ocorrendo
na sociedade - no campo político e no campo econômico
- para poder ajustar as suas filosofias. Portanto, uma empresa passa
cada vez mais a consumir informações do mundo social,
do mundo político e do mundo econômico para adequar
as suas estratégias, as suas táticas, os seus processos,
os seus métodos e as suas filosofias. Eu diria que a informação,
até a informação jornalística, passou
a ser vital para as organizações, a fim de que os
quadros organizacionais possam saber o que está se passando
na comunidade de consumidores.
7) Como deve ser a ética do profissional que trabalha
com assessoria de comunicação empresarial? Como funcionário
da empresa ou com a preocupação de informar de forma
correta e isenta?
Cada vez mais os profissionais têm que trabalhar a informação
dentro da ética do mercado da informação. O
que isto significa? Primeiro: passar informações verdadeiras;
segundo: reconhecer que a empresa errou quando realmente ela errou.
Se a empresa fabrica um produto com falhas, ela deve reconhecer
que fabricou errado, fazer o recall do produto para as devidas substituições.
Como ocorre, por exemplo, freqüentemente na área de
defeitos mecânicos de carros, as empresas chamam seus consumidores
para trocar a peça do automóvel. Se uma empresa de
transporte de combustível derramar óleo no mar, deve
providenciar a imediata limpeza, procurando a melhor tecnologia,
reconhecendo e pedindo desculpas à sociedade. Procurar tapar
o sol com a peneira não vai adiantar. A população
está cada vez mais exigente, cada vez mais participante,
cada vez mais querendo descobrir a verdade. Portanto, a postura
do profissional deve ser a postura da informação clara,
transparente, objetiva e concisa, ajustando assim, os interesses
da sociedade aos interesses da empresa. É claro que ele precisa
preservar os valores empresariais, mas há sempre uma possibilidade
de fazer convergir os interesses da empresa com os interesses dos
consumidores.
8) Com todas as milhares de empresas de comunicação
que surgiram nos últimos dez anos, a qualidade na divulgação
de informações e os critérios éticos
são respeitados ou (com perdão da expressão),
há uma prostituição na divulgação?
Infelizmente, o mercado ainda está semi-profissionalizado.
Há estruturas muito profissionalizadas, de alta qualidade,
principalmente no Sudeste do país, onde se destaca o Estado
de São Paulo: aí encontramos estruturas de comunicação
terceirizadas. Mas existem pequenas estruturas que, na minha visão,
ainda trabalham de maneira ortodoxa. A comunicação
merece um redesenho como, por exemplo, o press release que hoje,
na minha visão, é enchimento de cestas de lixo. Por
isso, deve-se trabalhar mais com sugestão de pauta, pré-pautas
para jornais, informações qualificadas, priorizando-se
as informações, selecionando-se melhor os ângulos,
criando-se, enfim, uma estratégia de aproximação
com os jornalistas, mas sem cooptar à base de dinheiro, sem
cooptar à base de favor, porém com informações
qualificadas. A proliferação das assessorias de comunicação
se origina na enorme quantidade de profissionais que chegam ao mercado
e que não são absorvidos pelas formas tradicionais
do mercado - jornais, rádios, revistas e televisões.
Muitos procuram os campos especializados da comunicação,
e aí se rebaixam, são profissionais recém saídos
das escolas sem muita experiência, não sabem escrever.
9) A forma da divulgação respeita os direitos
do consumidor?
A forma da comunicação precisa ser melhor delimitada.
É preciso ver os direitos do consumidor. Por exemplo, os
rótulos dos produtos e as embalagens são formas de
comunicação. É preciso identificar, em primeiro
lugar, a obrigatoriedade do certo tipo de informação
nas embalagens à luz do código de defesa do consumidor.
Há um certo exagero por parte das informações
que saem das empresas, quando tais informações colorem
e enaltecem exageradamente os produtos ou os nomes das empresas.
Esse personalismo exuberante nas informações prejudica
a qualidade e a objetividade e, ao invés de ajudar a comunicação
empresarial, mais desajuda. Em resumo, é preciso compatibilizar
o código do consumidor com as informações que
saem das organizações. Estamos aperfeiçoando,
mas ainda há muito o que se fazer para a interação
entre o interesse do consumidor e o interesse da empresa.
10) Como deve ser a assessoria de comunicação
de órgãos do Governo, seja ele municipal, estadual
ou federal?
As estruturas de comunicação dos governos tanto em
nível federal, estadual ou municipal devem ser profissionalizadas.
Em primeiro lugar, tais estruturas devem ter profissionais qualificados.
Em segundo lugar, precisam trabalhar com produtos bem delineados
na área da comunicação jornalística,
na área da editoração, na área das relações
públicas, na área da propaganda, na área da
pesquisa, na área da articulação com a sociedade,
na área de eventos, enfim, é preciso que as estruturas
trabalhem com conceitos sistêmicos de comunicação,
para que não haja uma disparidade de linguagens. Ocorre que,
em algumas áreas, o setor de relações públicas
está distanciado do setor de imprensa, que está distanciado
da editoração, que está longe da publicidade,
e assim por diante. É preciso que as áreas estejam
todas unidas, trabalhando dentro de uma estrutura e de um comando
único para que se preserve a harmonia das linguagens.
11) Apesar do boom da década, o mercado para assessores
de comunicação está favorável e consegue
absorver toda esta mão-de-obra?
O mercado sempre vai absorver quem tem qualidade. Quem tem competência
se estabelece. Que não tem competência deve arrumar
sua ‘trouxinha’ e procurar outra profissão. Acredito
que o mercado está carente de bons profissionais. Bons profissionais
que tenham uma comunicação de maneira sistêmica
e estratégica. Comunicação empresarial está
sendo cada vez mais uma estratégia das organizações.
Vamos deixar para trás o conceito do jornalzinho, do boletinzinho.
É preciso entender a comunicação como um processo
de integração entre a organização e
a sociedade, valorizando-se a informação sobre o produto,
a informação sobre valores da organização,
a criação de climas favoráveis à compra,
os ajustamentos internos das estruturas de comunicação
organizacional. Comunicação interna e comunicação
externa devem trabalhar unidas. Então, dentro desta ótica,
o mercado absorverá aqueles que sabem defender e trabalhar
conceitos como este.
12) Como deve ser o tratamento desses profissionais com
a empresa e com a opinião pública?
O tratamento deve ser, cada vez mais, profissional. A palavra profissional
deve estar presente em todos os momentos. Profissionalismo significa
o entendimento do negócio da empresa e o ajustamento entre
os interesses da empresa e os interesses da sociedade. É
preciso que o profissional respeite, inclusive, os valores morais,
espirituais e até os valores de ordem material da opinião
pública. Ele deve estar sempre procurando fazer uma leitura
adequada dos comportamentos sociais, a fim de que possa estabelecer
estratégias compatíveis com tais comportamentos.
13) O que deve ser mudado no segmento das assessorias de
comunicação, principalmente no trato com a imprensa?
No trato com a imprensa, as relações devem se dar
dentro de uma ótica de respeito e de intercâmbio. Ou
seja, se uma empresa tem algo a comunicar, ela precisa saber que
esse comunicado precisa estar sintonizado com o interesse da opinião
pública. Por outro lado, os jornais estão procurando
as empresas, porque o negócio empresarial tornou-se notícia.
Antigamente, percebíamos que os jornais e as revistas fechavam
seus espaços para as empresas. Hoje, o negócio empresarial,
os produtos e, principalmente, seus lançamentos precisam
ser apresentados. É preciso mudar a estrutura tradicional
de cooptação pela pressão, cooptação
pelo dinheiro e cooptação pelo favorecimento. É
preciso que as relações entre empresa e imprensa levem
em consideração o interesse pela informação.
14) Uma das grandes reclamações da maioria
das redações de jornais, TVs e rádios é
o “caminhão” de fax e releases que chegam diariamente
das assessorias de imprensa, que muitas vezes só têm
um destino - o lixo. Isso não deveria ser melhor tratado,
não deveria haver um critério para envio destas informações?
Como já disse, é preciso que os releases sejam priorizados,
reformatados do ponto de vista da qualidade da informação,
do ponto de vista do ângulo e que sejam apresentados como
sugestões de pauta e não como matéria acabada.
O release deve ser considerado como indicação para
uma matéria a ser feita - contendo indicação
de fontes, abordagens etc. -, e não como uma matéria
a ser veiculada pela imprensa. É preciso que os profissionais
das empresas ‘tomem um banho’ intenso das redações,
a fim de se inteirar sobre as funções do editor, as
funções do repórter, as funções
do chefe de reportagem, as funções dos secretários
do jornal, do diretor de redação, enfim, saber como
funciona uma redação. Ele deve trabalhar sintonizado
com o interesse do jornal ou da revista, absorvendo intensamente
a filosofia do veículo. O clima nas redações,
os momentos de fechamento, os momentos melhores para se falar com
os repórteres e com os diretores. Há certos momentos
em que você não consegue falar. Por exemplo, no final
do dia, por volta das cinco e meia e seis horas da tarde, é
impossível você falar com a redação,
pois é a hora de fechamento do jornal. E, nas revistas semanais,
a partir de quinta-feira à noite você já não
fala com a redação. Então, é preciso
que haja um conhecimento integral e pleno do funcionamento da filosofia
e do clima das redações.
15) O que ganha e o que perde uma empresa que contrata
uma assessoria de comunicação?
Ganha profissionalismo, ganha em flexibilidade, ganha na compreensão
mais sistêmica do meio ambiente. Ela pode perder, num primeiro
momento, no que diz respeito à climatização
de um determinado assunto. Porque uma estrutura terceirizada até
pegar um clima de uma empresa, demora um pouquinho. Eu diria que,
dentro de dois e três meses, uma assessoria terceirizada capta
o clima da organização e consegue trabalhar de maneira
mais adequada aos objetivos da empresa. Ganha também na neutralidade,
porque uma estrutura interna de comunicação fica subordinada
a uma área, gerando ciúmes em outras áreas,
às quais ela não é subordinada. Já uma
estrutura externa e terceirizada procura atender, de maneira mais
imparcial, à todos os setores da organização.
Respondendo, evidentemente, ao top da organização,
mas atendendo as finalidades de todas as estruturas sem parcializar.
16) Qual deve ser o papel das assessorias de imprensa na
administração de uma crise e dos momentos delicados
de uma empresa?
A comunicação é vital para a administração
na crise. Algumas empresas adotam a postura do encolhimento, o que
é um erro. Primeiro, porque os empregados da empresa sabem
o que está ocorrendo no meio ambiente. As empresas sempre
sonegam a informação para a comunidade interna, gerando
um clima de incertezas, dúvidas e expectativas. E isto pode
criar uma turbulência interna que prejudica o clima de trabalho,
atrasando a produção. A comunicação
na crise deve ser ágil, direcionada a diminuir as incertezas,
atenuar as expectativas, criar padrões de entendimento, cordialidade,
a fim de que a empresa possa passar pela crise sem grandes impactos.
A comunicação exerce papel fundamental, por exemplo,
para a eliminação dos focos de boato. Sabe-se que
nas crises os climas informais, os agentes informais de comunicação,
trabalham celebremente. O boato é como pólvora. Há
um rastilho aqui, queima-se esse rastilho e, imediatamente, a pólvora
corre e incendeia toda a organização. O boato se espalha
por meio da chamada rede sociológica de grupinhos. O que
significa isso? Uma certa pessoa chega para um grupo com três
pessoas e, com sua interpretação, ela passa uma informação:
- você sabia disso e daquilo? E nesta passagem de informação,
ela adiciona, ou ela elimina, ou ela interpreta algo de maneira
parcializada. Deste grupinho de quatro, cada um sai para um lado
diferente dando a sua versão do que ouviu, adicionando algo
que não ouviu e também dando o seu posicionamento
pessoal, e assim por diante. Esses grupinhos vão se espalhando
numa rede. Cada grupinho vai se formando pela organização
e, como um rastilho de pólvora, incendeia a organização.
Então, neste momento, a comunicação se torna
vital para evitar os conflitos existentes com o embaralhamento da
informação. A partir daí, percebe-se a formação
do boato. Quando a empresa entra com comunicação adequada,
ágil e eficiente, o boato se extingue.
Para maximizar ainda mais a questão da comunicação
na época da crise, o que se deve fazer é usar a chamada
rede de secretárias. Na crise, é importante cooptar,
trazer a rede de secretárias para seu lado, para que elas
sejam porta-vozes da informação correta. O que se
faz? Você chama as secretárias para uma reunião,
e administra para elas, uma pequena aula sobre o que está
ocorrendo na organização, com as informações
mais adequadas e mais concisas. A rede das secretárias é
vital na uniformização da linguagem.
Outra rede é a rede dos líderes informais. O líder
informal é aquele líder que tem um poder extraordinário
sobre o grupo. Freqüentemente, ele não detém
cargo, poder ou posição, mas detém influência.
É a pessoa que forma o time de futebol, que faz o churrasco
de fim de semana e reúne as pessoas. Esse líder tem
uma influência extraordinária sobre a comunidade. Se
eles forem cooptados de maneira errada, poderão ficar contra
a empresa. É preciso certo jogo de cintura para se cooptar
o chamado líder informal. Com as lideranças informais
bem trabalhadas, a crise será melhor administrada.
17) As assessorias têm o dever
ético de informar o problema quando ele acontece na empresa
ou seu papel é de driblar os meios de comunicação,
evitando dar a explicações?
Quando ocorre uma distorção ou uma falha, a empresa
deve, imediatamente, reconhecer a falha. Quanto mais esconde a falha,
maior problema vai gerar. Porque a verdade, mesmo como diria Brecht,
“a verdade tem cinco lados, mas a verdade verdadeira sempre
vai aparecer”. Temos a verdade de quem diz, com seus sentimentos
e valores, temos a verdade de quem ouve, interpretando diferente
do que se escuta, de acordo com os códigos lingüísticos
e com os valores de cada um. A terceira verdade é a verdade
do momento. Na noite, a “verdade” pega um ouvinte mais
cansado. Por isso, as grandes reuniões devem ser realizadas
pela manhã e não à noite. A quarta verdade
é a verdade do lugar. Uma coisa é uma informação
passada num ambiente de uma sala de reunião, com espaços
mais adequados para a audição e a visão. Outra
coisa é a informação transmitida perto de um
aeroporto, com aviões fazendo barulho. Há muita distorção
e muito ruído na comunicação; perde-se muita
coisa do que está sendo falado.
A conscientização está chegando cada vez mais
no consumidor final, não apenas nos segmentos médios,
mas também até no chamado povão. Por isso,
os comunicadores devem trabalhar com a informação
exata e, por isso mesmo, as empresas estão, cada vez mais,
criando estruturas de atendimento ao consumidor, os chamados SAC’s
- serviços de atendimento ao consumidor. Principalmente na
área de alimentos, a Nestlé e a Sadia, as grandes
empresas da área de alimentos, têm tais estruturas.
Em resumo, nos dias de hoje, é preciso ter muito cuidado
com a informação, devendo-se evitar o esconderijo
da informação. A informação deve ser
aberta, clara, transparente e verdadeira.
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