MARKETING POLÍTICO
Guia das Eleições Municipais - 1992

A ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO NAS CAMPANHAS ELEITORAIS

A principal tarefa de um político é atender às necessidades de seus eleitores, de acordo com seus conceitos político-partidários e os anseios gerais da sociedade. Todo esse trabalho se inicia com o planejamento da campanha eleitoral, na qual estão contidos os programas de trabalho do candidato e sua equipe de assessores que se utilizará das pesquisas de opinião, como fundamental instrumento de apoio.

A estratégia de comunicação deverá ser definida com muito cuidado, pois esta é uma das ferramentas do marketing político eleitoral de importância vital para o sucesso do candidato.

Há que se definir entre estratégias de comunicação horizontal, massiva e a comunicação verticalizada, dirigida a segmentos específicos. Programar os canais impressos e eletrônicos, a intensidade de propaganda, os tipos de mensagem para cada setor é outra tarefa a ser dimensionada pelos candidatos.

Costuma-se desperdiçar muito dinheiro quando não se racionaliza o pacote comunicativo. É aconselhável uma programação rigorosa, com planos específicos para: propaganda massiva de rua (cartazes), propaganda na mídia impressa, aparecimentos regular em matérias jornalísticas (assessoria de imprensa) de jornais, revistas e televisão, aparição pessoal e contatos com pessoas, grupos ou entidades expressivas e representativas (artistas, intelectuais, profissionais liberais, donas-de-casa, movimentos étnicos, ecológicos, associações de bairros, comerciais, eclesiais, de bairros, rurais etc), num amplo planejamento de relações públicas.

Os programas de ação política deverão estar ajustados ao perfil traçado para a campanha. E os calendários precisam contemplar a presença do candidato em todos os segmentos de mercado planejados, evitando-se restringir o esquema de distribuição da campanha.

Táticas de comunicação

No tocante a propaganda política do candidato é necessário definir-se o conceito do candidato que será veiculado através de folhetos, panfletos, cartazes etc. Num segundo momento, entra no jogo da comunicação do candidato com seu público alvo, a participação nos programas de rádio, TV, jornais e revistas, onde ele estará presente através de matérias e textos pautados pela sua assessoria de comunicação, mais precisamente pela sua assessoria de imprensa, que estará encarregada de fazê-lo notícia.

Neste aspecto, entra o trabalho da assessoria de imprensa, junto aos meios de comunicação. Isto ocorrerá através do conceito do candidato com vários públicos ao mesmo tempo, ou seja, numa entrevista de rádio, no programa de TV, no encontro pessoal com representantes de entidades e associações, através de comícios organizados por assessores etc.

Uma outra forma de estar presente junto ao público são os próprios comícios, os eventos promovidos pela assessoria de campanha, onde o político através do evento traz sua mensagem ao eleitorado.

Onisciência: virtude do candidato

O desenvolvimento da campanha eleitoral segue o mesmo ritmo para os pequenos e grandes centros, já que as distâncias são cada vez menores, facilitada pelos meios de comunicação de massa. É fundamental que cada assessor se integre na campanha, que a comunicação tenha uma linguagem única, apesar de cada um possuir idéias divergentes sobre um assunto, a campanha deverá ser centralizada sob a coordenação de um assessor e possuir uma linguagem uniforme.

Cada candidato poderá lançar mão de recursos próprios de comunicação para atingir o eleitor, desde que a mensagem saliente sempre seus pontos fortes e abrande aqueles mais fracos.

Dependendo dos costumes de cada região, haverá sempre uma forma diferente de estar "falando" com o eleitor, pois a consciência é o grande desafio do candidato. E nesse aspecto, a mídia será uma extensão dele próprio. Vale para isso fazer uso das passeatas, do contato direto com a população, os comícios, as visitas a grupos de amigos, as carreatas, o showmício etc e também uma comunicação mais dirigida ao público formado por assessores diretos e eleitores engajados na campanha, através de um jornal, além dos recursos da mídia alternativa, que pode ser: o sistema de alto-falantes, a participação em programas das rádios locais etc.

Tudo isso, deverá estar estabelecido desde a fase inicial da campanha com uma proposta de unificação da linguagem de comunicação. No entanto, estas propostas devem ser concretas, pois o candidato poderá, com isso, sentir os anseios da massa e detectar o momento que uma tendência se forma e armar sua estratégia.

O mais importante, neste contexto, é que cada candidato deve ser diferente de seu concorrente, nunca imitativo e que tenha sempre um ponto que lhe dê uma identidade particular.

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