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Para
garantir a continuidade da experiência carismática,
é indispensável legitimar alguns mecanismos de transmissão
do Carisma e a organização da autoridade e das atribuições
da nova instituição que se pretende consolidar. Têm
sido especificados, sobretudo no estudo de movimentos ligados a
um líder carismático, alguns dos modos pelos quais
o Carisma é transmitido a outros para sobreviver. O ligame
do parentesco, particularmente o da descendência com direito
à aquisição hereditária, tem sido uma
forma bastante comum de perpetuação do Carisma. O
contato com o carismático é outra modalidade típica
da transmissão. A forma mais importante e passível
de ser formalizada é, contudo, a da outorga do Carisma por
ofício. O exemplo histórico da Igreja católica
é apresentado como um caso clássico desse tipo de
institucionalização. Não obstante a oposição
teórica entre o caráter pessoal do Carisma e o caráter
formal da instituição, esta forma de transmissão
faz coincidir os dois termos, somando a força dos dois diversos
tipos de autoridade que aí se reúnem: a autoridade
legal, burocrática, e a autoridade por dádiva excepcional.
A instituição assim legitimada possuirá um
poder interno de controle social e um poder de continuidade elevadíssimos.
A distinção
destas formas é útil para se poder decompor corretamente
o processo de legitimação e de organização
do fato carismático concreto que, no entanto, se fundamenta
sempre na constância da fé e da experiência habitual
do grupo. Na análise da sua estruturação funcional
em ordem a um fim, dentro dos termos habituais da psicossociologia
da organização, se observa que esta adota uma rigidez
diversa nas regras relativas aos tipos de conflito externos e internos
que o grupo tem de enfrentar.
Bibliografia – F. Alberoni, Movimento e instituzione. Il
Mulino, Bologna 1981; E. Shils, Charisma, order and status, in “American
Sociological Review”, XXX, 1965; R. C. Tucker, The theory
of charismatic leadership, in “Daedalus”, verão
de 1968; M. Weber, Economia e società (1922), Comunità,
Milano 1968.
(Ítalo de Sandre)
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