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Atendendo
à lógica da conversão, é possível
considerar ainda os fenômenos carismáticos, partindo
antes do grupo que vive a experiência coletiva de uma fé
e de uma conversão tipicamente carismáticas, do que
dos líderes reconhecidamente dotados de Carisma. É
a fisionomia deste tipo particular de comportamento coletivo que
caracteriza movimentos sociais e até experiências de
grupo mais limitadas, que se apresentam como formas de uma nova
sociedade em estado nascente. Os processos coletivos de origem política,
religiosa, artística, de oposição cultural,
etc., que na última década se multiplicaram e difundiram,
particularmente nas sociedades neocapitalistas, ocidentais, se oferecem,
na condição de grupo, como alternativa institucional,
ética e instrumental, o que pode ocorrer a partir de uma
experiência das contradições particulares do
sistema de produção e de poder, da qual se passa à
contestação radical dos valores e contradições
fundamentais. O poder que o grupo reivindica se baseia em valores
que ele próprio cria e propõe, numa fé e atividade
prática novas, vividas como algo radicalmente diverso em
relação aos “demais”, e cuja eficácia
se quer demonstrar ativamente, quando menos num sentido simbólico
de ruptura e de reconstrução básica. O grupo
carismático apresenta-se a si mesmo, e não tanto a
sua leadership interna (que também pode ser carismática
no sentido pessoal do termo), como quadro de referência e
coletividade de agremiação inteiramente novos. Neste
sentido, ele oferecerá, no plano psicológico, a cada
um dos membros, a defesa social e uma segurança psíquica
profunda, necessárias para a reconstrução e
desenvolvimento da identidade dos indivíduos, negada na sua
condição preexistente e substituída na conversão.
Por isso, aqui não se sublinha tanto a relação
de autoridade entre os sequazes-fiéis e o chefe-profeta,
passividade em face do dever, quanto o papel ativo de todos os membros
do grupo no processo de criação coletiva de valores,
verificados na prática comum.
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