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Pondo
como centro dos fenômenos carismáticos um certo tipo
de relação de autoridade baseada fundamentalmente
no líder, a análise histórica usou seus conceitos
principalmente no estudo de homens de Estado, líderes religiosos,
nacionalistas, militares, e nas suas qualidades e realizações
(Jesus Cristo, Gandhi, Lênin, Atatürk, Churchill, de
Gaulle, Nkrumah, Nasser). Esta perspectiva foi notavelmente ampliada
por estudos recentes sobre os processos de mudança social
e sobre a importância dos movimentos sociais, dos fenômenos
de comportamento coletivo, observáveis no âmago e origem
das próprias mutações.
As transformações
são tanto mais radicais, quanto mais questionados forem o
tipo de legitimação, o modo de distribuição
do poder, o sistema de valores-norma básicos que inspiram
e regulam os comportamentos da coletividade. Baseando-nos na conceituação
weberiana, podemos distinguir dois tipos fundamentais de desenvolvimento:
a racionalização e a conversão. A primeira
se realiza através de progressiva diferenciação
das funções, na qual os modelos essenciais do sistema
se desenvolvem por meio de regras e técnicas mais especializadas,
aplicadas a setores sociais mais limitados, com inovações
formais e instrumentais.
A conversão,
ao contrário, se baseia na mudança interior, na reestruturação
dos valores fundamentais e, conseqüentemente, de todos os comportamentos
derivados, por uma fé vivida como dom e como dever, vocação
essencialmente diversa do comportamento conformista. Tende por si
a difundir uma consciência de valores e uma prática
alternativa em relação aos fins, às normas,
às recompensas, às oportunidades oferecidas pelas
crenças dominantes.
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