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Na
tentativa de distinguir as condições típicas
do aparecimento dos fenômenos carismáticos, os estudos
têm-se concentrado na análise de vários tipos
desse processo.
Nos
casos em que aparece em evidência o líder e o plano
de salvação por ele proposto, a gênese do fenômeno
tem sido vinculada ao pavor coletivo de um povo, de uma minoria
religiosa ou étnica a estados de total insegurança
e de angústia generalizada, diante dos quais o carismático
é visto como um salvador. Ele é acolhido como portador
da segurança fundamental, da esperança, do fim do
sofrimento, embora este, ao cabo, possa ter uma expressão
de dimensões apocalípticas, de destruição
em termos sociais, de morte física.
Estes
fenômenos estão associados a condições
de falta de modernização política e econômica
e a êxitos de caráter totalitário, ditatorial.
Nas
sociedades modernizadas, bem articuladas e complexas, se verificou,
porém, que os fenômenos carismáticos se manifestam
mais freqüentemente através de grupos e movimentos,
surgindo de âmbitos produtivos e reprodutivos delimitados,
subculturas, instituições reguladoras de determinados
setores da sociedade. É daí que eles emergem para
indicar carismaticamente alternativas radicais, não circunscritas
ao próprio âmbito ou instituição, partindo
da existência de particulares condições de desigualdade,
de sofrimento, de insatisfação, condições
em si recorrentes nas sociedades, podendo ser consideradas como
próprias das fases normais de desenvolvimento das contradições
sociais. Embora o fato carismático seja em si imprevisível,
as sobreditas precondições, menos gritantes, estão,
sob esta perspectiva, presentes, com maior ou menor amplitude, em
numerosos e diversos pontos das estruturas, muito mais do que se
supôs nas primeiras teorizações.
Para delimitar esta tese, convirá, todavia, observar que,
na ética prática do bem-estar das sociedades neocapitalistas,
existem tendências sistemáticas à dessagração
e ao “consumo”, que opõem resistência à
difusão e duração dos estímulos carismáticos.
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