DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL

          No caso das organizações, para efeito de referência comum, a fonte mais expressiva é o gerente. O gerente, regra geral, se posiciona como linha intermediária da organização, sendo um pólo emissor e receptor de informações, transmitindo informações para baixo e para cima, para subordinados e chefes. Existe, por conseguinte, um volume apreciável de comunicação nas organizações concentrado na figura do gerente. Designamos esse conjunto de comunicação gerencial, que constitui uma das mais fortes estruturas de comunicação nas organizações, principalmente nas companhias de grande porte, com certo grau de complexidade operacional e técnica.
          Diante do panorama da comunicação gerencial, surge a questão: como o corpo gerencial pode melhorar suas comunicações? Eis um pequeno repertório de sugestões e conselhos:

  • coragem para gerenciar – o gerente deve buscar o ponto de equilíbrio entre a aceitação e a rejeição de riscos, o desempenho da empresa e a segurança pessoal;
  • buscar amplitude e profundidade – o gerente de mudança deve ser um generalista, com capacidade de compreender interrelações complexas e com conhecimento multidiscplinar;
  • focar a gerência pela orientação para pessoas – deve ser um profissional antropológico, capaz de reconhecer valores pessoais e organizacionais;
  • ter orientação global e antevisão de futuro – deve se voltar para a problemática global, de forma permanente, ter uma postura proativa com vistas à identificação e análise de ameaças e oportunidades;
  • ter conhecimento relativo de todas as coisas – face à impossibilidade de assimilar as crescentes informações relevantes disponíveis, deve o gerente saber correlacionar informações diversas;
  • deter conhecimento tecnológico específico – não há meio para se fugir do impacto tecnológico. Não se pode esperar do gerente plena competência tecnológica, mas a detenção do conhecimento específico em sua área é imprescindível;
  • compreender os conceitos básicos de comunicação – o gerente precisa dominar os elementos que formam a equação da comunicação e estudar as variáveis que geram eficácia, traduzindo os valores para as suas rotinas e procurando exercitar as condições e premissas para o aperfeiçoamento;
  • saber escolher formas e canais de comunicação – grande parte das distorções se deve ao uso inadequado de formas e canais de comunicação. A compreensão da natureza da mídia organizacional ajudará o gerente em suas comunicações, contribuindo para sua eficácia;
  • identificar ruídos/problemas – o gerente não deve passar por cima dos problemas. Sua identificação e catalogação se fazem necessárias para a devida correção;
  • corrigir linguagens – as linguagens gerenciais são, costumeiramente, herméticas ou muito recheadas de tecnicismo. O desafio é o de transformar o recheio técnico em “algo palatável”, de fácil assimilação pelos diversos níveis organizacionais;
  • aperfeiçoar habilidades comunicativas – trata-se, nesse caso, de ajustar as questões relativas à codificação/decodificação, com todos os problemas de expressão/locução; interpretação/leitura/audição/atitudes (para consigo, para com os temas e os receptores); domínio temático, etc.
  • saber escolher alvos – as comunicações gerenciais pecam pela difusão ampla e heterogênea, perdendo o sentido do foco central. Nesse sentido, o gerente precisa escolher alvos principais e alvos secundários e terciários;
  • senso de oportunidade – ter senso de oportunidade significa saber escolher o momento certo para a expressão da idéia e veiculação da mensagem. Tempos errados e circunstâncias inadequadas acabam atenuando e até “matando” as idéias básicas do projeto comunicativo;
  • identificar recursos de comunicação disponíveis – as organizações dispõem de formidáveis recursos de comunicação, que são, freqüentemente, esquecidos ou mesmo desconhecidos pelas fontes gerenciais. Identificar tais recursos é lição primeira do corpo gerencial;
  • atualizar-se constantemente – não há tempo para iniciar ou tempo para acabar de estudar. Todo tempo é um bom tempo. O gerente precisa saber aproveitar parte de seu tempo para se requalificar/reciclar, inclusive nas áreas técnicas da comunicação (mídia trainning, por exemplo, conceito que designa o programa de treinamento do corpo gerencial para enfentar os meios de comunicação);
  • definir bem o que comunicar – se o gerente tem dúvidas sobre o conteúdo da comunicação, fará melhor se não se comunicar. Quando não se sabe bem o quê comunicar, a comunicação será contaminada pelo vírus da improvisação e da confusão. O gerente mancha sua imagem;
  • aceitar sugestões/críticas – a modéstia é uma grande qualidade. Modéstia não significa humilhação; é um poder superior, o poder de saber que um profissional deve aprender, todas as horas, com as pessoas ao seu redor, das mais simples às mais importantes da organização;
  • flexibilidade – só quem nasce torto, por problemas genéticos, tem pouca capacidade de mudar (* a frase original do pensador e escritor espanhol Ortega y Gasset é esta: “só os imbecis nascem tortos porque não tem condições de mudar”). O gerente precisa ter jogo de cintura para mudar de acordo com uma nova idéia, um bom conselho, uma sugestão positiva para o aperfeiçoamento;
  • dar valor ao processo de comunicação – o gerente acaba pecando muito em suas comunicações, por não perceber a importância do processo para sua vida pessoal e profissional e para a própria evolução da organização em que trabalha. É fundamental que conheça os benefícios do sistema de comunicação;
  • conhecer ou procurar conhecer a si mesmo e os outros - o princípio socrático nos aconselha: conhece-te a ti mesmo. Sun Tzu, um marco na história das estratégias de guerra (seu pensamento será abordado no final feste livro), produziu este grande pensamento, expresso em seu conhecido em A Arte da Guerra: "se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas”.

Gaudêncio Torquato, in “Tratado de Comunicação Organizacional e Política”

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