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As
conquistas mais significativas da moderna comunicação
empresarial parecem voltar-se para o pedregoso terreno da administração
de conflitos. Com efeito, nas últimas décadas, tem-se
observado um crescente movimento das pressões sociais e um
rebuliço mais forte nas relações do trabalho,
fenômeno que se mantém presente em praticamente todos
os países que adotam modelos avançados de industrialização.
As estratégias de comunicação empresarial –
aqui entendidas como o amplo leque que reúne atividades de
relações públicas, assessoria de imprensa,
publicidade comercial e institucional, marketing social e publicações
internas e externas – se redirecionam no sentido do apaziguamento
das tensões sociais e um rebuliço mais forte nas relações
de trabalho.
A nova
disposição empresarial reflete, sobretudo, a imensa
capacidade das empresas modernas, principalmente as multinacionais,
para se adaptarem ao meio ambiente, como uma das formas inteligentes
de atenuar os riscos operacionais do sistema empresarial e, ao mesmo
tempo, criar mecanismo de consenso, simpatia e produtividade. Historicamente,
este novo sentido representa uma virada na direção
dos fluxos de comunicação, à medida que abandona
a ortodoxa postura de mensagens que nascem das questões sociais,
portanto, de natureza ascendente.
Não
se trata apenas de evitar os enfoques exclusivamente imagéticos,
mercadológicos, consumistas e ufanistas que marcaram o nascimento
e desenvolvimento das atividades de relações públicas,
publicidade e imprensa, a serviço das organizações.
Não se trata simplesmente de readequar a filosofia de ação
das relações públicas, que, ao longo de sua
história, a partir do princípio do século,
perseguiram firmemente o objetivo de conquistar simpatia para o
universo empresarial. Trata-se, sobretudo, da incorporação,
pela empresa, de princípios que representem compromissos
com a realidade social, o meio ambiente, as pressões grupais
e o desenvolvimento dos seus recursos humanos, agora tratados não
apenas com jargões, mas com ações políticas
sérias, sólido instrumental e honestas intenções.
No
jogo das pressões e contrapressões, onde, de um lado,
afloram, canalizados e bem articulados, os interesses dos trabalhadores
e, de outro, um eficaz lobby organizado pelas empresas, os esquemas
de comunicação constituem mecanismos oportunos e fundamentais
para a administração dos conflitos, que se tornam
mais freqüentes por força da participação
efetiva de segmentos engajados da sociedade. A premissa em que se
baseia a nova comunicação empresarial parece ser a
de que o conflito de interesses já não se situa apenas
entre patrão e empregado, mas ganha foros mais amplos.
A sensibilização
para com os problemas decorrentes das pressões sociais, cuja
força aglutina desde a insatisfação da classe
média até os clamores de agrupamentos minoritários,
significa, sem dúvida, um dos mais avançados passos
dados pela comunicação a serviço da empresa,
em diversas nações do mundo, incluindo o Brasil.
Gaudêncio Torquato, in “Cultura, poder,
comunicação e imagem – Fundamentos da nova empresa” |
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