TEXTOS E CONTEÚDOS PRODUZIDOS PELO
PROF. GAUDÊNCIO TORQUATO
VALORES

          Falemos, agora, sobre valores que engrandecem os perfis políticos. Certos valores ajudam o candidato a atrair a simpatia e a decisão favorável do eleitor. Em primeiro lugar, a grandeza ética. O candidato sério, decente, cumpridor de compromissos é bem aceito e se encaixa no perfil desejado pelo eleitor. A desonestidade, a falta de idoneidade, a falta de confiança afastam o eleitor. Uma segunda categoria de valores é o discurso novo, um discurso objetivo, concreto. O eleitor está descrente dos discursos já gastos, monumentais. Outro elemento de motivação é a ação, determinação. As posturas imobilistas afastam o eleitor. O candidato que dá a idéia de ser incapaz de realizar não ganha voto. Já o conceito de empreendedor, pessoa ativa, dinâmica e corajosa, tem vez. A velha política não atrai mais. Uma maneira diferente de fazer política é a prática da transparência, da abertura de idéias, da franqueza. Autonomia é outro aspecto importante. O candidato deve dar mostras de independência, a idéia de que pode resolver os problemas da população.
          Se o candidato não conseguir atrair o eleitor, conseguirá dele uma resposta negativa, o voto para o adversário, a abstenção ou o voto nulo. Todo esforço deve ser empreendido, no final de campanha, para atrair o voto de eleitores indecisos. Como fazer isso? Com recursos, comunicação, novas informações, respondendo as dúvidas dos indecisos, arrematando os programas de trabalho, enfim, fazendo um esforço final para conquistar, já quase na boca de urna, o voto de uma camada que, às vezes, chega aos 10% do eleitorado.
          Um conselho: nas últimas semanas, procurar mais uma vez, interpretar os sentimentos das bases, descobrindo os pesos relativos dos estímulos de voto, escolhendo uma grande idéia para coroar o fechamento da campanha, um programa popular, objetivo, original e criativo.
É preciso engajar na campanha um bom grupo de colaboradores. Alguns colaboradores se engajarão espontaneamente, outros vão ajudar, mas não querem aparecer, alguns podem dar uma contribuição em dinheiro, em materiais de campanha, cedendo carros, gasolina, fornecendo transporte. Uma sólida infra-estrutura e uma boa equipe são indispensáveis.
          A sociedade está fiscalizando muito os atos do candidato. Numa região pobre, uma mídia de propaganda muito rica pode ser agredir. Muita gente vai perceber que as posses do candidato não permitem extravagâncias. Há que se ter cuidado com a fiscalização da mídia jornalística - o jornal, o rádio e a televisão - que acompanha todos os atos dos candidatos. Cuidado com as denúncias. A mídia acaba descobrindo casos de corrupção. Os jornalistas estão muito atentos ao que se passa. Portanto, atenção quanto aos comportamentos, porque um detalhe negativo qualquer poderá inviabilizar a candidatura.
          Lembro um episódio que ocorreu na campanha americana, na década de 60. Um candidato, Barry Goldwater, do Estado de Alabama, queria passar idéia de pessoa séria, intelectual. Ele era muito conservador e como candidato à presidência dos Estados Unidos, falava num palanque muito alto, cercado por uma proteção de vidros à prova de bala, para evitar atentados. Usava uma armação de óculos, para passar a idéia de pessoa compenetrada. A certa altura do comício, ele esqueceu que a armação não tinha lente, e colocou o dedo no olho para tirar um cisco. Enfiou o dedo pela frente da armação. Nesse momento, o fotógrafo flagrou o senador tirando o cisco do olho, com o dedo passando pela armação. No dia seguinte, os jornais estamparam: “o mentiroso”. Foi um impacto negativo para sua campanha. Perdeu.
          Na campanha presidencial de 90, Flávio Rocha era candidato do PL a presidente da República, até que a imprensa descobriu que seu staff negociava os bônus de campanha com empresas para justificar declarações do Imposto de Renda. Com as denúncias, ele acabou renunciando à candidatura.

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