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VALORES
Falemos,
agora, sobre valores que engrandecem os perfis políticos. Certos
valores ajudam o candidato a atrair a simpatia e a decisão
favorável do eleitor. Em primeiro lugar, a grandeza ética.
O candidato sério, decente, cumpridor de compromissos é
bem aceito e se encaixa no perfil desejado pelo eleitor. A desonestidade,
a falta de idoneidade, a falta de confiança afastam o eleitor.
Uma segunda categoria de valores é o discurso novo, um discurso
objetivo, concreto. O eleitor está descrente dos discursos
já gastos, monumentais. Outro elemento de motivação
é a ação, determinação. As posturas
imobilistas afastam o eleitor. O candidato que dá a idéia
de ser incapaz de realizar não ganha voto. Já o conceito
de empreendedor, pessoa ativa, dinâmica e corajosa, tem vez.
A velha política não atrai mais. Uma maneira diferente
de fazer política é a prática da transparência,
da abertura de idéias, da franqueza. Autonomia é outro
aspecto importante. O candidato deve dar mostras de independência,
a idéia de que pode resolver os problemas da população.
Se o candidato
não conseguir atrair o eleitor, conseguirá dele uma
resposta negativa, o voto para o adversário, a abstenção
ou o voto nulo. Todo esforço deve ser empreendido, no final
de campanha, para atrair o voto de eleitores indecisos. Como fazer
isso? Com recursos, comunicação, novas informações,
respondendo as dúvidas dos indecisos, arrematando os programas
de trabalho, enfim, fazendo um esforço final para conquistar,
já quase na boca de urna, o voto de uma camada que, às
vezes, chega aos 10% do eleitorado.
Um conselho:
nas últimas semanas, procurar mais uma vez, interpretar os
sentimentos das bases, descobrindo os pesos relativos dos estímulos
de voto, escolhendo uma grande idéia para coroar o fechamento
da campanha, um programa popular, objetivo, original e criativo.
É preciso engajar na campanha um bom grupo de colaboradores.
Alguns colaboradores se engajarão espontaneamente, outros vão
ajudar, mas não querem aparecer, alguns podem dar uma contribuição
em dinheiro, em materiais de campanha, cedendo carros, gasolina, fornecendo
transporte. Uma sólida infra-estrutura e uma boa equipe são
indispensáveis.
A sociedade
está fiscalizando muito os atos do candidato. Numa região
pobre, uma mídia de propaganda muito rica pode ser agredir.
Muita gente vai perceber que as posses do candidato não permitem
extravagâncias. Há que se ter cuidado com a fiscalização
da mídia jornalística - o jornal, o rádio e a
televisão - que acompanha todos os atos dos candidatos. Cuidado
com as denúncias. A mídia acaba descobrindo casos de
corrupção. Os jornalistas estão muito atentos
ao que se passa. Portanto, atenção quanto aos comportamentos,
porque um detalhe negativo qualquer poderá inviabilizar a candidatura.
Lembro
um episódio que ocorreu na campanha americana, na década
de 60. Um candidato, Barry Goldwater, do Estado de Alabama, queria
passar idéia de pessoa séria, intelectual. Ele era muito
conservador e como candidato à presidência dos Estados
Unidos, falava num palanque muito alto, cercado por uma proteção
de vidros à prova de bala, para evitar atentados. Usava uma
armação de óculos, para passar a idéia
de pessoa compenetrada. A certa altura do comício, ele esqueceu
que a armação não tinha lente, e colocou o dedo
no olho para tirar um cisco. Enfiou o dedo pela frente da armação.
Nesse momento, o fotógrafo flagrou o senador tirando o cisco
do olho, com o dedo passando pela armação. No dia seguinte,
os jornais estamparam: “o mentiroso”. Foi um impacto negativo
para sua campanha. Perdeu.
Na campanha
presidencial de 90, Flávio Rocha era candidato do PL a presidente
da República, até que a imprensa descobriu que seu staff
negociava os bônus de campanha com empresas para justificar
declarações do Imposto de Renda. Com as denúncias,
ele acabou renunciando à candidatura.
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