TEXTOS E CONTEÚDOS PRODUZIDOS PELO
PROF. GAUDÊNCIO TORQUATO
DISTRIBUIÇÃO

          O quinto aspecto importante dentro de um planejamento de marketing eleitoral é a questão da distribuição. Não adianta planejar e produzir materiais, se eles não chegarem aos eleitores. Esse é um dos principais problemas das campanhas. Às vezes, os materiais ficam encalhados, ou não obedecem a um fluxo natural de distribuição. O eleitor deve ter acesso aos canais e ao candidato. O acesso do eleitor ao candidato comporta os eventos, já frisados, como comícios, passeatas, carreatas, contatos pessoais, porta a porta, mídias massiva e seletiva. Quando o candidato não está presente em determinado lugar, pode se fazer representar por meio de um corpo de auxiliares, cabos eleitorais que levam sua mensagem. O importante é fazer com que a presença do candidato seja, todo tempo, garantida ou por meio de sua presença física, ou por meio da presença de seu corpo técnico de auxiliares, cabos eleitorais e equipes de distribuição de materiais.
          A seguir, o candidato deve se preparar para a reta final da campanha. Quais são as preocupações na reta final? Entre elas, a boca de urna. Apesar de proibida pela legislação eleitoral, ainda se faz boca de urna, que consiste no trabalho de abordagem das pessoas pelos cabos eleitorais e pelas equipes que fazem a distribuição dos materiais, no dia da eleição. O ideal é multiplicar a visibilidade, por meio da distribuição de santinhos, por meio de modelos de cédulas eleitorais com o nome do candidato, por meio de programas panfletados.
          Nas campanhas majoritárias, de prefeito, de governador, de senador, é preciso se manter uma rede de informação e contra-informação, porque a boataria é muito comum. E o boato procura, freqüentemente, derrubar a posição do candidato, por meio do estratagema das falsas pesquisas que aparecem em panfletos, por meio de fofocas. Às vezes, o boato planejado corre assim: “você soube disso, você soube daquilo?” A mensagem é a de que o candidato está caindo nas pesquisas, que está desistindo, que está perdendo apoios. Na última semana de campanha, o candidato deve se preocupar em criar um evento de impacto, uma situação para ampliar visibilidade e a possibilidade de ganhar mais votos. O golpe psicológico, geralmente em torno de uma situação impactante, uma grande denúncia, um grande comício, ou uma pesquisa de última hora que o coloque lá na frente do outro candidato, alavancará suas possibilidades.
          Como no marketing há o que se chama de garantia de qualidade, no marketing político também deve existir a garantia de qualidade do voto. O candidato precisa corresponder às expectativas, dar satisfação ao eleitor. Periodicamente, apresentará a sua ação política, a sua ação parlamentar, no Executivo ou no Legislativo. A moldura social mostra um novo eleitor, uma nova sociedade, uma nova classe média que estão a exigir novas posturas, novos discursos. É a ampliação do espaço da cidadania. As pessoas estão querendo participar mais ativamente do processo político, fiscalizando de perto seus representantes. A sociedade se afasta do político quando percebe que o processo de corrupção é muito forte. A descrença é muito grande. E quando a descrença se avoluma, quem perde não é só o político, é a própria instituição pública quem perde, porque o eleitor acaba desconfiando de tudo que representa a política.
          Estas são as linhas gerais do marketing político. Vamos trabalhar, um pouquinho mais alguns desses eixos. Quando uma candidatura é posta - candidatura de vereador, de prefeito, de deputado estadual, de deputado federal, de governador, de senador - há que se fazer uma boa leitura do meio ambiente. É preciso estudar adequadamente o momento vivenciado pelo país, pela região, pelo município, pelo bairro, pelas ruas. A análise da situação econômica, social e política deverá fornecer o balizamento de uma campanha. Um bom planejamento é aquele que leva em consideração esses aspectos macro-ambientais.
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