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O
boato varia na razão direta da importância e ambigüidade
de um determinado assunto. Por aqui, percebe-se que temas como salários,
mudanças, promoções, transferências,
implantação de novos sistemas e questões de
insalubridade, entre outros, constituem o prato predileto da rede
informal, principalmente em momentos de tensão, crise e dúvidas.
A comunicação
exerce papel fundamental na eliminação dos focos de
boato. Sabe-se que, nas crises, os climas informais, os agentes
informais de comunicação, trabalham celeremente. O
boato é como pólvora. Há um rastilho aqui,
queima-se esse rastilho e, imediatamente, a pólvora corre
e incendeia toda a organização. O boato se espalha
por meio da chamada rede sociológica de grupinhos. O que
significa isso?
Uma
certa pessoa chega para um grupo com três pessoas e, com sua
interpretação, ela passa uma informação:
- “você sabia disso e daquilo?” E nesta passagem
de informação, ela adiciona algo, elimina parte da
informação, ou, ainda, interpreta algo de maneira
parcializada. Deste grupinho de quatro, cada um sai para um lado
diferente dando a sua versão do que ouviu, adicionando algo
que não ouviu e também dando o seu posicionamento
pessoal. Esses grupinhos vão se espalhando numa rede. Cada
grupinho circula pela organização e, como um rastilho
de pólvora, incendeia o ambiente. Nesse momento, a comunicação
se torna vital para evitar os conflitos existentes, gerados pela
onda de boatos. Quando a empresa age com comunicação
adequada, ágil e eficiente, o boato se extingue. Em resumo:
não se pode deixar que a lagartixa se transforme em jacaré.
Não
se deve esquecer que o boato é, freqüentemente, produto
de um sistema de comunicação mal ajustado, incoerente,
pouco transparente, confuso. Nesse caso, as providências de
saneamento e planejamento devem levar em consideração
os tipos de canais de comunicação existentes na empresa,
a linguagem, os conteúdos, a freqüência com que
a comunicação chega à comunidade, os reforços
para apoio e compreensão das mensagens, a origem das informações,
entre outros aspectos.
Os ajustes
de comunicação diminuirão os boatos. E a utilização
da rede de comunicação informal dará mais agilidade
às mensagens principalmente quando se conhece a extensão
dos grupos e se identificam as zonas de alta sensibilidade na empresa.
O boato, bem administrado, não faz mal. Faz mal querer combatê-lo
sem a compreensão da sua natureza. Como se fosse possível
matar uma característica inata dos grupos.
Gaudêncio Torquato, in “Cultura, poder,
comunicação e imagem – Fundamentos da nova empresa”
e “Tratado de Comunicação Organizacional e Política”
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